Provedores nacionais de infraestrutura e serviços em nuvem projetam um crescimento expressivo de 32% em seu faturamento para 2026. O dado, divulgado pela Associação Brasileira de Provedores de Infraestrutura e Serviços Cloud (AbraCloud), reflete a resiliência e a expansão acelerada do ecossistema tecnológico local, com um foco particular na oferta de nuvem privada e gerenciada. Embora a projeção represente uma ligeira desaceleração em comparação com o estudo anterior, quando o crescimento médio atingiu 39%, o número ainda sinaliza um mercado robusto e em consolidação.
O cenário estratégico, operacional e financeiro do setor no Brasil, mapeado pela nova Pesquisa de Imagem e Identificação de Perfil dos Associados em 2026, confirma a especialização das empresas nacionais no atendimento sob medida para o mercado corporativo doméstico. Serviços de nuvem para empresas (96%), serviços de nuvem gerenciados (81%) e serviços de nuvem não gerenciados (77%) lideram a oferta. A vasta maioria dos provedores atende prioritariamente médias (96%) e pequenas companhias (92%), com uma média de 970 clientes ativos por provedor, e alguns chegando a atender entre 1 mil e 3 mil clientes.
Desafios e Transições Tecnológicas
A redução na expectativa de crescimento para 2026, apesar de ainda alta, está atrelada a grandes transições tecnológicas enfrentadas pelo mercado. Uma das principais causas apontadas é a mudança nas políticas de licenciamento da Vmware, após sua aquisição pela Broadcom. Em resposta, os provedores de nuvem aceleraram a transição para tecnologias de virtualização open source baseadas em KVM (Linux Kernel Virtual Machine) no início do ano. Contudo, a partir de meados de 2026, o setor enfrentou escassez de oferta e aumento expressivo nos custos de componentes críticos, como memórias e servidores de alta performance, segundo a AbraCloud.
Predominância do Mercado Corporativo e Estrutura de Capital
A pesquisa evidencia a forte inclinação do setor para o mercado corporativo. A grande maioria das empresas associadas à AbraCloud atende prioritariamente médias e pequenas companhias, demonstrando uma capacidade de adaptação e oferta customizada para as necessidades dessas organizações. Essa especialização é um diferencial competitivo para os provedores nacionais em um mercado global dominado por gigantes internacionais.
A estrutura de capital do ecossistema de infraestrutura no Brasil também se destaca pela independência financeira. Cerca de 89% dos provedores operam com capital 100% próprio e 69% pretendem manter essa autonomia nos próximos anos. Apesar disso, 35% das empresas já participaram de operações de fusão e aquisição (M&A) como estratégia de consolidação e crescimento, indicando um movimento de maturidade e busca por escala no mercado.
Vocação Técnica e Empregabilidade
No âmbito do capital humano, as associadas da AbraCloud empregam, em média, 320 colaboradores, com uma média ajustada de 52 profissionais ao expurgar empresas de grande porte. O setor demonstra uma forte vocação técnica, com 62% da força de trabalho concentrada nas áreas de Engenharia e Operações. A maioria dos contratos (73%) é firmada sob o regime CLT, sinalizando um compromisso com a estabilidade e o desenvolvimento profissional de seus colaboradores.
Agenda Regulatória e Soberania Tecnológica
A agenda regulatória do setor segue focada na consolidação do pacote de incentivos Redata e nas negociações junto ao Confaz para a redução e padronização das alíquotas de ICMS sobre infraestrutura de data centers. A AbraCloud tem intensificado o diálogo com o poder público, protocolando uma Carta ao Executivo Federal em defesa da Soberania Tecnológica e solicitando prioridade na realização do Fast Track no Redata. A entidade também pleiteia regulamentação ágil do novo regime especial, financiamento contínuo pelo BNDES e a implementação do processamento local de Inteligência Artificial, visando assegurar a independência digital do Brasil.
O futuro da nuvem no Brasil parece promissor, com provedores nacionais demonstrando capacidade de adaptação e crescimento. As projeções para 2026, apesar dos ventos contrários na cadeia de suprimentos e nas políticas de licenciamento, indicam um setor resiliente e com forte potencial de expansão, especialmente no nicho corporativo e com a adoção de tecnologias abertas. A consolidação do mercado via M&A e a busca por soberania tecnológica são tendências que merecem atenção nos próximos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





