A organização que representa tenistas profissionais, a Professional Tennis Players Association (PTPA), viu seu drama interno ganhar um novo e turbulento capítulo. Wajid Mir, ex-conselheiro geral da entidade, protocolou uma ação judicial de 76 páginas no Tribunal Distrital de Cook County, Illinois, acusando os atuais e antigos diretores executivos de violação de deveres fiduciários e má conduta. O caso se destaca pela bizarra inclusão da própria PTPA como autora e ré, evidenciando a profundidade da cisão na organização.
Conflitos e Acusações de Assédio
Mir alega que sua demissão, ocorrida em junho, foi ilegítima e orquestrada para encobrir irregularidades. A nova ação aprofunda alegações já conhecidas em litígios anteriores, focando em acusações graves contra Ahmad Nassar, ex-diretor executivo, e seu sucessor, Romain Rosenberg. Nassar, que também liderava a Winners Alliance, braço comercial da PTPA, deixou a liderança da associação em março para se dedicar integralmente à Winners Alliance, parcialmente financiada pelo bilionário Bill Ackman. Pouco depois, o cofundador Novak Djokovic também se afastou da PTPA. Em junho, Mir reuniu seis jogadores, que ele identificou como membros aprovados do conselho, para examinar uma queixa de assédio sexual de Anastasia Skavronskaia, ex-agente de marketing de Martina Hingis e funcionária da PTPA, contra Rosenberg. Segundo Mir, o comitê votou unanimemente pela remoção de Rosenberg por "conduta misógina, assédio e retaliação no local de trabalho". Rosenberg, contudo, realizou uma reunião paralela no dia seguinte, contornando a decisão anterior, e obteve a aprovação de seus próprios membros do conselho para demitir Mir.
Mecanismos de Poder e Conflitos de Interesse
A estrutura de poder dentro da PTPA parece intrinsecamente ligada à Winners Alliance, que controla os recursos financeiros e de recursos humanos. Essa conexão permitiu que Rosenberg, supostamente ligado a Nassar e à Winners Alliance, mantivesse o controle. Jogadores que formaram o comitê original que destituiu Rosenberg tentaram ação judicial em Washington, D.C., mas enfrentaram dificuldades financeiras e a recusa do juiz em emitir ordens de restrição. O juiz também questionou a viabilidade de ambos os conselhos devido a restrições de elegibilidade. Em paralelo, a PTPA processou Mir em um tribunal federal de Illinois. Mir, residente em Illinois, respondeu com a ação derivativa, onde alega que Nassar ainda exerce influência efetiva sobre a PTPA, que parece ter poucos ou nenhum funcionário além de Rosenberg. Skavronskaia foi demitida após o US Open em setembro. A Winners Alliance, lançada por Nassar em 2022, firmou um acordo com a PTPA para pagar US$ 3 milhões anuais por 20 anos em troca dos direitos de comercialização da licença de grupo de jogadores. Mir afirma que o acordo foi aprovado pelo conselho, mas nunca assinado integralmente, permitindo à Winners Alliance encerrar a parceria a qualquer momento.
Implicações para o Ecossistema do Tênis
Além das batalhas legais internas, a PTPA é conhecida principalmente por sua ação antitruste contra as duas principais turnês de tênis e três Grand Slams, caso que recentemente sobreviveu a um pedido de arquivamento. Fora desse litígio, a PTPA, fundada em 2020, teve um impacto limitado no esporte. As questões de transparência citadas por Djokovic ao se afastar em janeiro parecem ter se intensificado. Mir alega que Nassar mantém um conflito de interesses entre suas funções na PTPA e na Winners Alliance, e que um novo conflito pode ter surgido com a criação de uma empresa para atletas muçulmanos, a Companions Alliance. "Permanece incerto que capital ou recursos operacionais a Nassar e/ou Winners Alliance alocaram para a Companions Alliance", afirma o processo, solicitando exame das origens e autorizações dessas atividades. Nassar, em nota, rebateu, afirmando que a queixa foi feita por um ex-funcionário demitido e que o processo recicla argumentos já rejeitados. Ele também mencionou que está prestes a iniciar uma licença médica planejada para cirurgia.
Perguntas em Aberto e o Futuro da PTPA
Mir também acusa a PTPA de ter trabalhado com Tarik Koubaa, que liderava a PTPA Global Services em Dubai. Segundo o processo, Koubaa teria sido alvo de sérias preocupações no local de trabalho, incluindo comentários direcionados a jogadores LGBTQ+. Skavronskaia também relatou ter sido assediada por Koubaa no Australian Open de 2025. O processo ainda mira Vasek Pospisil, parceiro de Djokovic na fundação da PTPA e autor principal no caso antitruste, alegando que ele recebeu mais de US$ 600.000 e possui mais de US$ 2 milhões em participação na Winners Alliance, com atividades que poderiam ser caracterizadas como fora do escopo de negócios da PTPA. O futuro da PTPA, em meio a essas acusações e disputas legais, permanece incerto, com a credibilidade e a viabilidade da organização em xeque.
O desdobramento dessas ações judiciais pode redefinir a governança e a operação de associações de atletas, levantando questões sobre transparência, ética e a complexa teia de relações comerciais no esporte profissional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Front Office Sports





