O Ministro de Transportes e Mobilidade Sustentável da Espanha, Óscar Puente, destacou recentemente em Miami o modelo de planejamento público de infraestruturas adotado pelo país. Durante sua participação no LAC Transport Forum 2026, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Puente apresentou a evolução espanhola de uma "situação precária" para "estar à cabeça a nível europeu" em infraestruturas, atribuindo parte desse avanço à integração na União Europeia.

Lições de Planejamento Público

A intervenção de Puente focou na metodologia espanhola, que se baseia na identificação de necessidades de mobilidade, na comparação de alternativas e na avaliação de resultados. O objetivo é garantir a escolha da solução mais eficiente e sustentável antes da execução de qualquer projeto. Segundo o ministro, essa abordagem resultou em uma "relação custo-benefício muito boa", com infraestruturas de qualidade a um custo comparativamente inferior ao de outros países europeus. Essa eficiência é um ponto crucial para países em desenvolvimento que buscam otimizar seus investimentos em transporte.

Metodologias e Ferramentas de Avaliação

Puente ressaltou a importância dos instrumentos de avaliação econômica e social utilizados na Espanha, como análises custo-benefício e multicriterio para projetos rodoviários. Ele também citou a metodologia da Adif (Administrador de Infraestruturas Ferroviárias), que integra aspectos financeiros, socioeconômicos e análise de riscos. A recente Lei de Mobilidade Sustentável consolida esse enfoque, estabelecendo um marco estável para planejamento e coordenação entre administrações. Um exemplo concreto apresentado foi o DORA III, que prevê investimentos de 13 bilhões de euros em aeroportos nos próximos cinco anos, demonstrando um planejamento de longo prazo e com recursos definidos.

Implicações para a América Latina

A participação de Puente em um fórum voltado para a América Latina e Caribe sugere um interesse em exportar o modelo espanhol. A região frequentemente enfrenta desafios de financiamento e eficiência em projetos de infraestrutura. A experiência espanhola, marcada por uma transição bem-sucedida e pela adoção de ferramentas robustas de avaliação, pode oferecer um caminho para que países latino-americanos e caribenhos melhorem a qualidade, a transparência e a competitividade de seus investimentos em transporte, alinhando-os com práticas internacionais.

Perguntas em Aberto

Embora o modelo espanhol pareça robusto, a aplicação em contextos tão diversos como os da América Latina e Caribe apresenta desafios. Questões sobre a capacidade institucional local para implementar metodologias complexas, a adaptação das ferramentas de avaliação às realidades econômicas e sociais específicas de cada país, e a sustentabilidade política dos planos de longo prazo diante de ciclos eleitorais são pontos que merecem atenção. A transferência de conhecimento é um passo, mas sua efetiva implementação dependerá de adaptações e compromissos locais.

O ministro Óscar Puente apresentou um panorama promissor sobre a gestão de infraestruturas na Espanha, com a clareza de quem defende um modelo que considera bem-sucedido. A relevância de suas declarações transcende as fronteiras espanholas, especialmente no contexto de um fórum focado em impulsionar o desenvolvimento regional através de investimentos estratégicos em transporte. A forma como esses princípios serão absorvidos e adaptados pelos países da América Latina e Caribe definirá o sucesso dessa troca de experiências.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España