A ofensiva russa na Ucrânia avança sobre um front menos visível, mas igualmente estratégico: o da cultura e da memória. Até o final de julho, o Ministério da Cultura ucraniano registrou a destruição ou dano de 1.990 sítios de patrimônio cultural e 2.625 instalações de infraestrutura cultural, totalizando mais de 4.600 locais.

Os números, reportados pela publicação de arte Hyperallergic, pintam o quadro de uma campanha que vai além do ganho territorial. A leitura aqui é que os ataques sistemáticos a museus, galerias e monumentos históricos constituem uma tentativa de apagar a identidade nacional ucraniana.

Um ataque à identidade nacional

A lista de perdas é extensa e atinge o coração da produção cultural do país. Entre os locais afetados estão 141 museus e galerias, 196 instituições de ensino de artes e até mesmo sítios históricos na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Em Kyiv, o Museu Nacional de Arte da Ucrânia sofreu danos estruturais significativos, forçando o desmonte de uma exposição recém-inaugurada. Em Kharkiv, um míssil atingiu o telhado do Museu de Arte, que abriga 25 mil obras, e feriu civis. O Museu Nacional de Chornobyl perdeu 40% de seu acervo em um bombardeio.

A UNESCO tem condenado repetidamente os ataques russos a "propriedades culturais", cuja proteção é prevista em leis internacionais de guerra que proíbem seu uso, saque ou destruição. Atingir deliberadamente esses locais é considerado um crime de guerra. Contudo, a verificação completa da devastação é um desafio logístico e de segurança, já que muitos dos territórios afetados permanecem sob ocupação russa, impedindo uma avaliação precisa da escala real do prejuízo.

Enquanto o conflito persiste, autoridades ucranianas se dedicam a documentar cada perda. O esforço não é apenas contábil, mas uma corrida para salvar o que resta da herança material do país, um pilar fundamental para qualquer futura reconstrução da nação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hyperallergic