Reed Jobs, filho de Steve Jobs, não busca a cura definitiva para o câncer. Seu objetivo é mais preciso: tornar a doença não-letal. Essa distinção é fundamental para a abordagem de Jobs e de sua gestora, Yosemite. Ele argumenta que, dada a natureza das células humanas, a erradicação completa do risco de câncer é uma premissa impossível. Contudo, a medicina avança para um ponto em que doenças, mesmo que não eliminadas, podem se tornar gerenciáveis e menos ameaçadoras à vida.
Inspirado pelo tratamento do HIV/AIDS, Jobs vê um paralelo para o câncer. Embora não exista uma vacina para o HIV, a combinação de medicamentos transformou a doença em uma condição crônica e não-letal nos Estados Unidos, permitindo que pacientes vivam vidas plenas. Essa vitória sobre a mortalidade é o que Jobs almeja replicar para pacientes com câncer. Sua jornada pessoal com a doença, iniciada ainda na adolescência quando seu pai, Steve Jobs, adoeceu, o impulsionou a dedicar sua carreira ao combate ao câncer.
Fundada em 2023 após se desmembrar da Emerson Collective de Laurene Powell Jobs, a Yosemite opera com um modelo híbrido. A gestora investe em startups de biotecnologia com o objetivo de retornos de escala de venture capital, mas também destina recursos para subsídios filantrópicos a cientistas. Essa dualidade permite testar novas ideias de forma rápida e econômica em ambientes universitários, minimizando o desperdício de tempo e recursos em pesquisas com poucas chances de sucesso.
O primeiro fundo da Yosemite teve seu fechamento inicial em janeiro de 2025 com US$ 200 milhões e encerrou o ciclo de captação com US$ 263 milhões, já apoiando empresas como Chai Discovery (IA para descoberta de drogas) e Teal Health (rastreamento de câncer cervical).
O recente fechamento do segundo fundo em US$ 350 milhões reflete a confiança crescente dos investidores no modelo de Jobs. Entre os Limited Partners (LPs) estão gigantes farmacêuticos como Amgen e AbbVie, instituições acadêmicas de renome como MIT e Memorial Sloan Kettering, e o investidor John Doerr, sócio da Kleiner Perkins. Esse capital será direcionado para a próxima onda de inovações em biotecnologia, aproveitando os avanços recentes em áreas como imunoterapia e terapias para câncer de pâncreas.
Jobs acredita que transformar o câncer em uma doença não-letal será um esforço colaborativo, envolvendo um consórcio de soluções e avanços, possivelmente tratados caso a caso. A visão de longo prazo que ele carrega é a de um construtor: a Yosemite não visa o sucesso imediato, mas sim um legado que se estenderá por toda a sua vida — redefinindo, ao longo do caminho, o que significa vencer o câncer.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





