A Ofcom, agência reguladora de comunicações do Reino Unido, iniciou uma revisão interna de suas capacidades para se preparar para o desafio de fiscalizar as gigantes de tecnologia. A iniciativa foi anunciada por seu chairman, Ian Cheshire, em uma entrevista ao Financial Times.

Segundo Cheshire, o órgão precisará de "mais recursos" para cumprir seu mandato expandido, que inclui a aplicação das novas e abrangentes regras de segurança online do país. O movimento sinaliza a crescente pressão sobre os reguladores para se equiparem adequadamente diante do poder e da complexidade das plataformas digitais globais.

Um Mandato Ampliado, Recursos em Questão

A Ofcom, tradicionalmente responsável por regular os setores de radiodifusão e telecomunicações no Reino Unido, está no centro de uma transformação significativa. Com a aprovação de novas legislações como o Online Safety Act, seu escopo de atuação foi drasticamente ampliado para incluir a supervisão de conteúdo prejudicial em redes sociais e mecanismos de busca, colocando-a em uma posição de confronto direto com as Big Techs.

Esta revisão interna, portanto, não é apenas um exercício burocrático, mas uma avaliação estratégica sobre como uma agência governamental pode, na prática, desenvolver a expertise técnica e a capacidade operacional para monitorar e aplicar regras a algumas das empresas mais ricas e influentes do mundo. A declaração de Cheshire sobre a necessidade de mais recursos aponta para o principal obstáculo enfrentado por reguladores em todo o mundo: a assimetria de poder e capital em relação às companhias que pretendem regular.

O movimento da Ofcom será observado de perto por outros governos que também buscam formas de conter o poder das grandes plataformas. O resultado da revisão pode oferecer um modelo — ou uma advertência — sobre a viabilidade de regular efetivamente o ecossistema digital sem um investimento estatal proporcional ao tamanho do desafio.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Financial Times Technology