O órgão que regula a profissão de arquiteto no Reino Unido, o Architects Registration Board (ARB), está promovendo uma mudança estrutural na formação de novos profissionais. A entidade anunciou que irá abolir a exigência de um mínimo de dois anos de experiência prática para a obtenção do registro profissional, uma regra que por décadas definiu o rito de passagem para a carreira no país.
A decisão, parte de uma reforma mais ampla da chamada Experiência de Prática Profissional (PPE), sinaliza uma troca de paradigma: sai a rigidez do tempo, entra a flexibilidade das competências. A aposta do ARB é que um modelo focado na demonstração de habilidades, e não em um período fixo de trabalho, pode criar um caminho mais consistente e adaptável para os futuros arquitetos, segundo reportagem da publicação especializada Dezeen.
De horas-cadeira a competências
O cerne da mudança, que deve entrar em vigor a partir de dezembro de 2028, é a desvinculação entre tempo e qualificação. Em vez de cumprir um cronograma de 24 meses, os candidatos precisarão comprovar que atingiram todos os "Resultados de Competência" definidos pelo órgão. Para o ARB, a medida visa dar "maior flexibilidade para as instituições de ensino integrarem o aprendizado acadêmico e a experiência prática".
Para mitigar preocupações sobre uma possível queda nos padrões de qualidade, o órgão ressalta que a régua de competências será mantida. Como ferramenta de apoio, será introduzido um "Registro de Experiência do Estagiário", um documento para "reflexão estruturada" que não será avaliado formalmente pelo ARB. A responsabilidade de garantir a formação recai, assim, sobre o candidato, a universidade e o empregador, que deverão usar o registro para identificar e preencher lacunas na experiência prática.
O futuro da formação profissional
Com a nova estrutura, o tempo para registro poderá variar significativamente. Um profissional com experiência prévia ou que demonstre rapidamente as competências necessárias poderá, em tese, acelerar sua entrada formal no mercado. Por outro lado, a ausência de um prazo mínimo pode gerar incertezas se a fiscalização sobre a qualidade da experiência não for robusta.
O movimento britânico ecoa um debate global sobre a modernização de profissões altamente reguladas. A transição de um modelo baseado em tempo para um focado em resultados é uma tendência que desafia estruturas tradicionais de certificação em diversas áreas, do direito à medicina. O prazo de implementação até 2028 dá ao ecossistema de arquitetura do Reino Unido tempo para se adaptar, mas o experimento será observado de perto por conselhos profissionais de todo o mundo, inclusive no Brasil. A questão que fica no ar é se a competência, por si só, pode substituir o tempo como medida confiável de prontidão profissional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





