O governo do Reino Unido está investindo £2,6 milhões numa parceria com o Google para testar uma solução de inteligência artificial que visa reduzir um dos impactos climáticos da aviação: os rastros de condensação, ou 'contrails'. A iniciativa busca prever as zonas atmosféricas onde esses rastros se formam e persistem, sugerindo pequenas alterações de rota para as aeronaves.
O projeto, com duração de 30 meses, parte de uma premissa pragmática: em vez de esperar por uma revolução nos motores ou combustíveis, talvez seja possível mitigar parte do aquecimento global causado pela aviação com otimização de software. A tese é que uma solução de dados pode oferecer ganhos ambientais imediatos, uma abordagem de ganhos incrementais num setor de descarbonização complexa.
O cálculo climático no desvio de rota
Os 'contrails' se formam quando o vapor de água expelido pelos motores a jato congela em cristais de gelo em ar frio e úmido. Muitos se dissipam rapidamente, mas, sob certas condições, eles se espalham e formam nuvens do tipo cirrus, que aprisionam calor que de outra forma seria irradiado para o espaço. Este é um dos principais efeitos de aquecimento não relacionados a CO2 da indústria aérea. O projeto combinará as previsões do Met Office, o serviço meteorológico britânico, com a IA do Google para identificar e contornar essas áreas.
A questão central, no entanto, é o trade-off. Para evitar uma zona propensa a 'contrails', um avião pode precisar alterar sua altitude ou rota, o que frequentemente resulta em maior consumo de combustível e, consequentemente, mais emissões de CO2. O sucesso do experimento, que terá testes de voo sobre o Atlântico Norte nos invernos de 2026-27 e 2027-28, dependerá de provar que o benefício climático líquido de evitar um rastro persistente supera o dano do dióxido de carbono adicional.
Para o governo britânico, a iniciativa é mais uma peça num portfólio de investimentos em aviação 'verde', que já inclui subsídios para combustíveis sustentáveis e tecnologias de propulsão elétrica e a hidrogênio. A aposta com o Google, contudo, é notável pela sua simplicidade conceitual: a de que um voo mais limpo pode estar, literalmente, a apenas alguns milhares de pés de distância.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





