Um novo relatório divulgado por democratas do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos aponta para uma redução significativa no número de mulheres ocupando cargos de alto escalão em segurança nacional e diplomacia sob a administração Trump. O documento, intitulado “A Guerra de Trump contra as Mulheres: O Desmantelamento Sistemático de Décadas de Progresso em Casa e no Exterior Durante o Segundo Mandato da Administração”, detalha o que os autores descrevem como um “desvendamento deliberado do apoio dos EUA a mulheres e meninas globalmente”.

O Desmonte de Políticas de Apoio

O relatório destaca que, desde o retorno de Trump ao poder, houve uma queda drástica no número de embaixadoras e líderes militares mulheres. Atualmente, apenas 13% das missões diplomáticas americanas são lideradas por mulheres, um número consideravelmente menor do que em administrações anteriores. Além disso, programas internacionais cruciais para o avanço das mulheres, como o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Escritório de Questões Globais das Mulheres (GWI), foram desmantelados. Os cortes na ajuda externa também afetaram desproporcionalmente mulheres e meninas, com o cancelamento de 88% do financiamento para saúde materna e infantil, 94% para saúde sexual e reprodutiva e quase 80% para prevenção e resposta à violência de gênero.

Impacto na Representação e Ideologia

O documento também aborda a “Avanço de uma Ideologia Política que Exclui Deliberadamente Mulheres”, argumentando que os direitos das mulheres estão sendo sistematicamente apagados. Um exemplo citado é a expansão da “Global Gag Rule”, que proíbe o uso de fundos de saúde globais dos EUA para aconselhar mulheres sobre aborto ou encaminhá-las para o procedimento. A política restringe a promoção de cuidados de afirmação de gênero e programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e justiça racial.

Números e Declarações

A senadora Jeanne Shaheen, que encomendou a pesquisa, afirmou que, por décadas, os EUA reconheceram a ligação entre o status de mulheres e meninas e a estabilidade global. No entanto, Trump trabalhou para desmantelar a infraestrutura diplomática e de assistência externa que sustentava essas leis. Ela enfatizou que apoiar mulheres e meninas não é separado do avanço dos interesses americanos, mas sim uma forma de prevenir conflitos, fortalecer parceiros e competir internacionalmente. O relatório também citou dados de junho, indicando que mulheres ocupam apenas quatro de 23 posições de nível de gabinete, uma taxa de 17,4%, contrastando com 52% sob a administração Biden. A representação feminina em cargos militares sêniores e no Departamento de Estado também apresentou declínio.

Consequências e Visão de Futuro

O relatório alerta para as consequências de longo prazo, como a perda estimada de US$ 2,5 trilhões até 2040 devido à falta de investimento na educação de meninas e esforços para prevenir o casamento infantil. Um dado alarmante é o aumento das mortes infantis sob cinco anos em 2025, uma tendência negativa inédita no século. A publicação deste relatório coincide com recentes saídas de mulheres de posições de destaque na administração Trump, cujas vagas foram preenchidas por homens, contrariando alegações anteriores do ex-presidente sobre o aumento da representação feminina em seu gabinete. Em resposta, a Casa Branca defendeu a administração, declarando que o Presidente Trump é um "campeão para as mulheres e mães em todo o país".

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company