A inteligência artificial está forçando uma reconfiguração nas estruturas de liderança corporativa. Um relatório publicado na segunda-feira pela IBM, multinacional americana centenária de tecnologia e infraestrutura, indica que a maioria das empresas já está contratando ou designando executivos para o cargo de Chief AI Officer (CAIO).

Os dados do levantamento, reportados pela CNBC, sugerem que a tecnologia deixou de ser tratada apenas como uma ferramenta operacional alocada sob o guarda-chuva da diretoria de tecnologia (CTO) ou de informação (CIO). Ao exigir um assento próprio no chamado C-level, a movimentação aponta para uma tentativa clara do mercado de institucionalizar a governança e a estratégia corporativa em torno da IA.

A reconfiguração da governança tecnológica

A ascensão de um cargo dedicado exclusivamente à inteligência artificial reflete a complexidade técnica e estratégica que a tecnologia impôs aos conselhos de administração. Historicamente, grandes ondas de inovação tendem a gerar novas posições executivas — como ocorreu com a segurança da informação (CISO) e a gestão de dados (CDO) —, mas a velocidade de adoção das ferramentas de IA parece estar acelerando esse ciclo de adaptação estrutural nas grandes organizações.

Embora o levantamento da IBM aponte para uma adoção majoritária da posição de CAIO, a definição exata do escopo e da autoridade desse executivo ainda passa por um período de consolidação no mercado. A centralização da estratégia em uma única figura de liderança sugere um esforço duplo das companhias: capturar os ganhos de eficiência e produtividade prometidos pela inovação, ao mesmo tempo em que se estabelece um controle mais rígido sobre riscos regulatórios, de propriedade intelectual e de segurança da informação.

A consolidação definitiva do Chief AI Officer como uma figura padrão e duradoura no organograma corporativo dependerá de como esses primeiros executivos conseguirão demonstrar valor tangível além da atual fase de experimentação tecnológica. O movimento atual, contudo, indica que os conselhos de administração avaliam que o custo de fragmentar a governança em IA já superou o risco de expandir a diretoria.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · CNBC Technology