A startup Rendezvous Robotics, sediada no Colorado, anunciou nesta semana a captação de US$ 20 milhões em um novo ciclo de investimento. A rodada, liderada pela MaC Venture Capital e Toyota Ventures, com participação de fundos como o University of Michigan Endowment e a Astera Ventures, visa financiar o desenvolvimento e demonstração em órbita de uma tecnologia inovadora: naves espaciais que se autoconstruem a partir de peças lançadas separadamente.
O problema que a Rendezvous Robotics busca solucionar é a crescente discrepância entre o tamanho dos satélites modernos e a capacidade dos foguetes atuais. Satélites cada vez maiores, equipados com painéis solares extensos e antenas de alta performance, frequentemente excedem as dimensões das carenagens dos foguetes, limitando seu lançamento. Enquanto muitas empresas exploram designs dobráveis inspirados em origami, a abordagem da Rendezvous Robotics difere ao propor que as naves sejam lançadas em módulos que se unem no vácuo do espaço.
A tecnologia da empresa baseia-se em pesquisa de quase uma década, iniciada no MIT sob o programa TESSERAE. A solução da Rendezvous Robotics consiste em um conjunto de módulos hexagonais de aproximadamente 1 metro, cada um equipado com sensores e capacidade de processamento. Utilizando campos eletromagnéticos, esses módulos são projetados para se auto-montarem em órbita, formando uma estrutura satelital funcional. Inicialmente concebida para a construção de grandes habitats espaciais, a tecnologia foi adaptada para atender à demanda crescente por satélites de maior porte.
Os módulos são projetados para abrigar diferentes subsistemas de um satélite, como computadores, painéis solares, sistemas de propulsão e radiadores. "Ninguém está falando em tornar os satélites menores e menos capazes", afirmou o CEO Joe Landon à Payload. "Estão falando em satélites mais capazes, mais potência, mais dissipação de calor, antenas maiores, comunicação mais sensível. É tudo cada vez mais, e não podemos fazer isso até descobrirmos como construir no espaço."
A Rendezvous Robotics já realizou demonstrações preliminares, incluindo voos em aeronaves de gravidade zero, uma missão suborbital e duas visitas à Estação Espacial Internacional (ISS). Uma nova missão para a ISS está prevista para dezembro, com o lançamento de 32 módulos para testar a auto-montagem dentro do laboratório espacial. A demonstração crucial em 2028 planeja enviar sete módulos para o vácuo do espaço, validando a capacidade de montagem e reconfiguração em uma única unidade satelital.
Além de superar as limitações de tamanho, a tecnologia de montagem modular oferece flexibilidade operacional. Os operadores de satélites poderão alterar a configuração da nave, adicionar novos módulos ou substituir componentes defeituosos de forma ágil. Essa capacidade de serviço em órbita vai além da simples extensão de vida útil, permitindo reconfigurações autônomas para otimizar o desempenho ou contornar falhas. Em longo prazo, a empresa vislumbra a criação de depósitos de módulos em órbita, capazes de fornecer peças de reposição sob demanda, revolucionando a manutenção e a longevidade de satélites.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Payload Space





