O neobanco Revolut está derrubando uma das últimas fronteiras do mercado financeiro. Em uma aliança com as gestoras Apollo, Ares, Hamilton Lane e Partners Group, a fintech passará a oferecer a seus clientes acesso a fundos de mercados privados — um universo que inclui private equity, dívida privada e infraestrutura, até hoje restrito a investidores institucionais.
A iniciativa, anunciada na Europa, representa um passo calculado na sofisticação dos serviços oferecidos pelas plataformas de varejo. O movimento testa o apetite e a maturidade da base de clientes para investimentos de longo prazo e baixa liquidez, um território com regras e riscos distintos dos mercados públicos.
A democratização do 'capital paciente'
A estrutura para este acesso se dará por meio de fundos europeus no formato ELTIF 2.0, desenhados para serem ‘evergreen’, ou seja, sem uma data de liquidação definida. A promessa é de maior acesso, mas o próprio Revolut adverte: a liquidez não é garantida. A empresa deixou claro em seu comunicado que “os reembolsos não estão garantizados” e podem sofrer limites ou suspensões.
Para Rolandas Juteika, diretor de investimentos da fintech na Europa, a oferta foi desenhada para o “capital paciente”, que se alinha à natureza dos ativos privados. A leitura é que, ao mesmo tempo que democratiza, o Revolut transfere para o investidor de varejo a responsabilidade de compreender a complexidade de um ativo ilíquido, cujo horizonte de retorno é de vários anos. No Brasil, plataformas como XP e BTG Pactual Digital lideram movimento semelhante, mas o desafio de educar o investidor sobre os riscos de produtos sofisticados permanece universal.
O movimento do Revolut é um termômetro para a ‘varejização’ dos investimentos alternativos. Mais do que o desempenho dos fundos, o sucesso da empreitada dependerá da capacidade da plataforma em calibrar as expectativas dos clientes sobre a natureza desses ativos. A linha que separa a democratização financeira da criação de novos riscos para o pequeno investidor nunca foi tão tênue.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





