Quando Rich Eisen pisou novamente no estúdio do SportsCenter em agosto passado, após 22 anos, a ESPN resgatou a identidade visual e a trilha sonora icônicas daquela época. O resultado foi um sucesso instantâneo: 708 mil espectadores sintonizaram, um número 67% superior à média do programa no horário. A reação nas redes sociais foi um coro de saudade, um reflexo do que Eisen descreve como um desejo coletivo por "tempos mais simples". Uma jovem chorando ao ver a abertura familiar do programa validou a ideia que ele apresentou à ESPN: um podcast de nostalgia. "This Was SportsCenter: Stories from the Set" reúne Eisen com ex-colegas, munido de acesso total ao vasto arquivo da emissora. A primeira temporada, lançada em junho no Disney+ e no aplicativo da ESPN, contou com nomes como Dan Patrick, Chris Berman e Linda Cohn. Uma segunda leva de entrevistas está prevista para 2027, com promessas de "compromissos bastante interessantes".

O Apelo da Memória Afetiva

Eisen, hoje com 57 anos, ajudou a definir a era de ouro do "SportsCenter" entre 1996 e 2003. Ele e o saudoso Stuart Scott formaram uma dupla marcante, que transcendia as telas, chegando até a atuar na comédia "The Kid" da Disney. A ESPN, em sua nota de pesar por Scott em 2015, destacou como o "SportsCenter" noturno da dupla se tornava assunto no "bebedouro" no dia seguinte, um testemunho de sua química e da força das reprises. O próprio Eisen estima que seu programa, exibido diversas vezes, alcançou mais de 100 milhões de lares. "Eu literalmente coloquei essa geração no ônibus escolar com Stuart Scott pela manhã", relembra ele, referindo-se aos jovens que o assistiam antes de ir para a escola e que hoje têm seus próprios filhos.

Da Tela para o Empreendedorismo

Em 2003, Eisen deixou a ESPN para se tornar o primeiro contratado da NFL Network, onde permanece até hoje como âncora principal de eventos como o Draft e o Super Bowl. Paralelamente, em 2014, lançou "The Rich Eisen Show", um programa diário de três horas que mesclava esportes e cultura pop. O ponto de virada ocorreu em dezembro de 2019, quando a plataforma que o exibia foi descontinuada. Eisen, em vez de buscar outra casa, optou por assumir o controle. "Foi bastante assustador", admitiu ele à Fortune. Com a contratação de um CFO e a criação de sua própria sala de controle, o programa não apenas sobreviveu, mas prosperou em novas plataformas como Peacock e Roku. O princípio norteador, segundo Eisen, foi "criar um ambiente livre de babacas", pois "esta vida é muito curta e este negócio é muito pequeno".

Novos Horizontes com Raízes no Passado

Este dezembro marca sete anos desde que Eisen assumiu a propriedade de seu programa, superando o tempo em que foi apenas um contratado. A recente reintegração à ESPN, através de um acordo de licenciamento, trouxe o show para Disney+, ESPN Radio e plataformas digitais, além de manter a presença na SiriusXM e em formato de podcast. "O que fazemos todos os dias é encontrar os fãs onde eles querem ser encontrados", explica Eisen. A audiência, segundo ele, "explodiu exponencialmente". A plataforma ESPN, ele garante, "não tem igual". Sua empresa também produz "Women's Sports Now", um programa semanal criado por sua esposa, Suzy Shuster, focado em esportes femininos, um projeto inspirado em parte pela filha do casal, Taylor, jogadora de basquete. "O ponto aqui é mulheres falando sobre esportes femininos", afirma Eisen.

O Futuro é Agora, com Olhar no Ontem

Enquanto "The Rich Eisen Show" celebra 12 anos, Eisen considera novas possibilidades, como podcasts adicionais e um programa com celebridades. "Qualquer coisa é possível", diz ele, em um mercado que, paradoxalmente, parece estar se contraindo. A expansão contínua de seu show é vista por ele como um feito notável. A estratégia de Eisen parece clara: capitalizar a nostalgia de uma geração que o viu crescer, oferecendo conteúdo que ressoa emocionalmente e, ao mesmo tempo, atende às demandas de um mercado de mídia fragmentado. A questão que permanece é se essa fórmula, tão bem-sucedida no passado, continuará a ser o motor do futuro do jornalismo esportivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune