O Rio de Janeiro registrou um volume alarmante de 52 milhões de tentativas de golpes telefônicos nos últimos 12 meses, conforme dados da DMA (Digital Made Accessible). O número, que reflete uma média diária de 142 mil proteções, coloca o estado em uma posição de destaque negativo no cenário nacional de fraudes, ficando atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 108,9 milhões de ocorrências no mesmo período.
O cenário de 2026 demonstra uma intensificação constante das atividades criminosas. Em maio, o estado atingiu o pico de monitoramento pela plataforma, registrando uma média de 181 tentativas de golpe por minuto. Segundo a análise, a recorrência dessas abordagens sugere que o Rio de Janeiro se tornou um alvo estratégico para a engenharia social aplicada ao ambiente digital, exigindo respostas tecnológicas ágeis para mitigar danos aos consumidores.
A anatomia das abordagens criminosas
A análise de mais de 157 mil relatos de moradores, processada pela solução Protect Call, detalha a mecânica por trás das fraudes. As cobranças indevidas lideram o ranking de abordagens, representando 35,3% dos registros no estado, um índice superior à média nacional de 31%. Criminosos utilizam a pressão psicológica, alegando dívidas urgentes ou pendências financeiras, para coagir a vítima a realizar transferências imediatas ou fornecer dados sensíveis.
Outro ponto de atenção é o golpe da prova de vida, que responde por 6,5% das ocorrências fluminenses, também acima dos 5% da média brasileira. Ao se passarem por órgãos da Previdência Social, os golpistas exploram o medo da suspensão de benefícios para induzir o usuário a instalar aplicativos maliciosos ou acessar links fraudulentos. A estratégia é clara: criar um senso de urgência que inibe a capacidade de verificação do cidadão.
O papel da tecnologia na linha de frente
A resposta a esse cenário tem sido a implementação de ferramentas baseadas em inteligência artificial e machine learning. A tecnologia analisa padrões de chamadas em tempo real, bloqueando o contato antes mesmo que o usuário atenda o telefone ou exibindo alertas visuais de risco. Esse modelo preventivo é essencial em um ecossistema onde as fraudes mudam de formato constantemente para contornar defesas tradicionais.
O desafio para as empresas de cibersegurança e operadoras é manter a taxa de detecção à frente da capacidade de adaptação dos criminosos. Como aponta Adrian Galeti, CISO da DMA, o monitoramento contínuo é a única forma de antecipar novas ameaças, já que os golpes sempre exploram momentos de vulnerabilidade ou preocupação do consumidor em sua rotina diária.
Implicações para o ecossistema digital
A prevalência de golpes telefônicos no Rio de Janeiro levanta questões sobre a eficácia das políticas de proteção ao consumidor e a responsabilidade das plataformas de telecomunicações. A necessidade de uma resposta coordenada entre setor privado e reguladores torna-se evidente, especialmente quando a escala do problema atinge dezenas de milhões de tentativas anuais. A proteção não deve recair apenas sobre o usuário, mas sobre a infraestrutura que permite a entrada dessas chamadas.
Para o mercado brasileiro, o caso fluminense serve como um termômetro da segurança digital. Enquanto as ferramentas de IA evoluem, a sofisticação dos criminosos também avança, criando uma corrida armamentista tecnológica. O sucesso dessas soluções de bloqueio é um passo necessário, mas a educação digital continua sendo uma variável crítica que ainda carece de políticas públicas mais abrangentes e eficazes.
O futuro da segurança telefônica
O que permanece em aberto é a sustentabilidade dessa proteção em larga escala. À medida que mais usuários adotam soluções inteligentes, os golpistas tendem a migrar para abordagens ainda mais personalizadas, possivelmente utilizando IA generativa para tornar as chamadas mais convincentes. A vigilância sobre esses novos padrões será o próximo grande teste para a indústria de segurança.
Observar como a taxa de sucesso dessas fraudes se comportará diante de tecnologias de defesa mais robustas será fundamental. O setor de tecnologia precisará demonstrar que a inovação pode, de fato, reduzir a incidência do crime, e não apenas transferir a atividade para outros canais ou formatos de abordagem, mantendo a segurança do consumidor como prioridade.
A persistência dessas tentativas de golpe reforça que, embora a tecnologia tenha avançado significativamente na identificação de fraudes, a mitigação total dos riscos ainda é um horizonte distante. A vigilância constante e a adaptação dos sistemas de defesa permanecem como os pilares fundamentais para proteger o consumidor brasileiro de um ecossistema de ameaças cada vez mais complexo e ágil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside




