Kim Namjoon, mais conhecido como RM, líder do fenômeno global BTS, transita dos palcos para as galerias de arte em sua estreia como curador na exposição "Between You and Me" no San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA). A mostra, que ficará em cartaz até fevereiro de 2027, representa um marco significativo não apenas para o artista, mas também para a arte moderna e contemporânea coreana, que busca maior reconhecimento internacional.
A curadoria, desenvolvida ao longo de dois anos por RM em colaboração com América Castillo e Hyoeun Kim, do SFMOMA, reúne um total de 190 obras. Deste acervo, 145 peças provêm da coleção particular de RM, complementadas por 45 obras pertencentes ao museu. O objetivo central é dar destaque a figuras notáveis da cena artística coreana que, apesar de sua relevância, possuem menor presença no cenário global, buscando despertar um novo apreço por pinturas, fotografias, desenhos, esculturas e outras manifestações artísticas.
Um Diálogo Entre Colecionador e Museu
A exposição "Between You and Me" é a primeira apresentação em um museu da coleção de RM, revelando um lado mais íntimo e pessoal do artista. Dividida em oito seções temáticas — "Blue Water", "Friendscape", "Home", "Photo Buddha", "People", "Passion", "Umber" e "I don’t know, but I like it." —, a mostra abrange desde peças seculares, como um vaso antigo, até elementos da cultura pop, como uma célula de animação de Pikachu. Essa diversidade reflete o amplo espectro de interesses de RM e sua visão curatorial, que busca conectar diferentes épocas e estilos, incluindo trabalhos de artistas como Kim Whan-ki, Chang Ucchin, Kim Yun Shin, Kwon Jinkyu, Kwon Okyon, Park Rehyun e To Sangbong, muitos dos quais fazem sua estreia nos Estados Unidos.
A Visão de RM e o Legado da Arte Coreana
Ao longo de sua carreira, RM tem sido um defensor vocal da arte sul-coreana, expressando admiração pela resiliência de artistas que criaram em meio a períodos turbulentos de colonização, rápida urbanização e instabilidade política. Um dos destaques da exposição é a extensa coleção de pinturas de Yun Hyong-keun, pioneiro do movimento Dansaekhwa, apresentada ao lado da icônica obra "No. 14" (1980) de Mark Rothko. RM comentou, em texto de parede, que, embora Yun seja frequentemente comparado a Rothko, seu intuito foi evitar que o artista coreano ficasse à sombra de seu par ocidental, promovendo assim uma apreciação independente de seu trabalho. Essa conexão transcendeu a exposição, inspirando a faixa "Indigo Blue" do álbum solo de RM, considerada uma das primeiras canções de K-pop dedicadas a um pintor coreano.
Conexões Globais e o Fenômeno "Namjoon-ing"
O interesse de RM pela arte foi despertado durante uma visita ao Art Institute of Chicago em 2018, enquanto o BTS estava em turnê. Desde então, ele se tornou uma figura influente no mundo da arte, um fenômeno conhecido entre os fãs como "Namjoon-ing". Ele foi nomeado o primeiro embaixador global do Museu Nacional da Coreia e realizou doações significativas para a aquisição de artefatos. A exposição no SFMOMA, com obras de artistas internacionais como Donald Judd, Yves Klein e Henri Matisse entrelaçadas com as peças coreanas, amplia o diálogo entre o Oriente e o Ocidente, o pessoal e o universal, e as conexões intergeracionais. RM também adicionou toques pessoais, como a escrita à mão dos títulos das seções e a narração de guias de áudio em coreano e inglês, reforçando a natureza íntima da mostra.
O artista vê a coleção como um reflexo honesto de sua jornada. "Poucas coisas revelam uma pessoa tão honestamente quanto uma coleção que ela construiu ao longo de um longo período", afirmou RM. "Nesse sentido, esta exposição será uma longa auto-apresentação." A iniciativa de RM em curar esta exposição não apenas oferece uma plataforma para a arte coreana no exterior, mas também solidifica sua posição como um embaixador cultural, capaz de transcender barreiras e inspirar uma nova geração de colecionadores e apreciadores de arte.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hypebeast





