As ações da Rumo (RAIL3) apresentaram um desempenho negativo no Ibovespa (IBOV) após a divulgação de seus dados operacionais referentes a setembro. O volume consolidado de transporte atingiu 7,0 bilhões de RTK (tonelada por quilômetro útil), o que representa uma retração de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa queda foi impulsionada, em grande parte, pela Operação Norte, que registrou uma contração de 10% anualmente. Entre os produtos transportados, o milho foi o principal vilão, com uma diminuição de 33% no volume, impactando em 1,06 bilhão de RTK. Apesar do cenário desafiador, os embarques de soja e farelo de soja mostraram resiliência, com crescimentos de 20% e 21%, respectivamente, ajudando a mitigar o impacto negativo do milho.

No acumulado do terceiro trimestre de 2026, a Rumo transportou 2% a mais de volume em comparação com o ano anterior, um resultado abaixo das expectativas do Bradesco BBI (4%) e do consenso de mercado (3%). Essa performance mais fraca em setembro gerou apreensão entre os investidores, levando as ações a operarem entre as maiores quedas do Ibovespa.

Análise dos Fatores Pontuais

Apesar dos números de setembro terem sido considerados "fracos" por analistas, as casas de research apontam para fatores pontuais que justificariam o desempenho. O Bradesco BBI, por exemplo, atribui a retração a eventos específicos, como o descarrilamento que interrompeu as operações da Malha Paulista por alguns dias, um problema já solucionado. Outros motivos citados incluem a menor exportação de grãos pelo Mato Grosso e o desempenho operacional impactado por chuvas intensas nos terminais de Santos. O BTG Pactual também destaca o volume de chuvas no período, o encerramento sazonal dos embarques de soja e a aceleração dos volumes de milho da segunda safra como influenciadores negativos.

Contudo, o crescimento trimestral da Rumo, mesmo abaixo das estimativas, superou as projeções do BTG Pactual em 6%, um ponto considerado positivo pelos analistas. Essa visão de que os resultados mais fracos foram isolados e não estruturais é fundamental para a manutenção da confiança no ativo.

Perspectivas e Preços-Alvo Elevados

Com base na análise de que os resultados de setembro foram pontuais, o Bradesco BBI decidiu elevar seu preço-alvo para as ações da Rumo (RAIL3) de R$ 18 para R$ 22, com validade até o final de 2027. Essa nova projeção representa um potencial de valorização de 18% em relação ao fechamento do dia anterior. A recomendação de compra foi mantida, com os analistas confiantes de que os ajustes tarifários implementados em 2025 e no primeiro semestre de 2026 fortaleceram a competitividade da companhia, favorecendo ganhos de participação de mercado.

O BTG Pactual também reiterou sua recomendação de compra, estabelecendo um preço-alvo de R$ 23 para os próximos 12 meses, o que sugere um potencial de valorização de 24%. Os analistas do BTG Pactual projetam uma geração de caixa mais favorável após a conclusão da agenda de reposicionamento de preços da Rumo, com expectativa de diminuição sequencial de investimentos (capex) e pagamentos relacionados a concessões nos próximos anos. A combinação de fatores macroeconômicos, como taxas de juros e a valorização do real, também é vista como favorável para os resultados financeiros e despesas operacionais.

Pontos de Atenção no Curto Prazo

Apesar do otimismo geral, os bancos apontam alguns pontos de atenção no curto prazo para a Rumo. Entre eles, está o possível impacto do fenômeno El Niño sobre os volumes de transporte em 2027, as negociações em andamento para a Malha Oeste e as discussões sobre o fim da concessão da Malha Sul. A aceleração dos volumes da Fase 1 da Ferrovia de Norte-Sul (FNS) também é um fator a ser observado. Esses elementos podem influenciar a trajetória futura da companhia e devem ser monitorados de perto pelos investidores.

A leitura do mercado é que, apesar do solavanco em setembro, a Rumo demonstra capacidade de recuperação e crescimento sustentado, amparada por estratégias de precificação e um cenário macroeconômico em evolução. A confiança dos analistas se baseia na resiliência da demanda por seus serviços e na gestão da companhia em navegar por desafios operacionais e regulatórios.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times