O Banco Safra reiterou seu otimismo em relação à Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), a principal fabricante de semicondutores do mundo. Em relatório de atualização, o banco manteve a recomendação de compra (outperform) e elevou o preço-alvo para as ações da companhia, projetando um potencial de valorização de até 47% para os papéis negociados em Taiwan.

A tese central é que a demanda por infraestrutura de Inteligência Artificial e Computação de Alto Desempenho (HPC) sustentará um ciclo de expansão de vários anos para a TSMC. A leitura do Safra é que a visibilidade da demanda já se estende até 2030. Contudo, essa projeção otimista colide com uma nota de cautela vinda do próprio mercado: executivos de grandes empresas de IA, os principais clientes da TSMC, sinalizaram recentemente uma possível desaceleração nos investimentos, criando uma tensão entre a euforia do mercado financeiro e a estratégia das Big Techs.

A Tese do Superciclo

A confiança do Safra está ancorada na produção de chips de ponta. O banco projeta uma expansão massiva na capacidade dos nós de processamento de 2 e 3 nanômetros (N2 e N3), essenciais para as GPUs e ASICs que alimentam os data centers de IA. As estimativas de produção de wafers (as lâminas de silício onde os chips são gravados) foram revisadas para cima até 2028, indicando uma aposta firme na continuidade do boom.

Para atender a essa demanda, a TSMC planeja um aumento expressivo nos investimentos de capital (Capex), que podem chegar a US$ 85 bilhões em 2028, segundo as projeções do Safra. Esse volume de investimento, direcionado para novas fábricas em Taiwan e no exterior, como no Arizona, reflete a convicção de que a demanda por poder computacional para IA é estrutural e não apenas um pico cíclico. A visibilidade, segundo a tese, viria de contratos plurianuais com os clientes, que garantem a ocupação da nova capacidade antes mesmo de ela ficar pronta.

O Freio de Arrumação da IA

O principal risco para essa narrativa, admitido no próprio relatório, é uma freada nos investimentos globais em IA. A tese do Safra assume que a demanda por chips avançados continuará crescendo de forma acelerada. No entanto, a reportagem do Money Times destaca que executivos de grandes empresas do setor já sinalizaram uma desaceleração. Se as Big Techs reduzirem seus planos de expansão, seja por retornos menores que o esperado ou por uma alocação de capital mais racional, a demanda por chips pode ficar aquém das projeções.

Além do risco estratégico, há desafios operacionais. A análise do banco pressupõe que as fábricas mais modernas da TSMC operarão em capacidade máxima. Uma queda na demanda impactaria diretamente as taxas de utilização, pressionando receitas e margens. Soma-se a isso o risco de execução de um Capex tão vultoso e os custos mais elevados das novas fábricas internacionais, que podem afetar a rentabilidade da companhia no curto e médio prazo.

A aposta do Safra na TSMC é uma aposta na perpetuidade da corrida pela IA. A questão que fica no ar é se o ritmo frenético de investimentos das Big Techs será mantido ou se o mercado está prestes a entrar em uma fase de maior racionalidade. A resposta a essa pergunta definirá se o otimismo dos analistas se converterá em realidade ou se a cautela dos executivos de tecnologia prevalecerá.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times