O Banco Safra promoveu uma ampla revisão em sua cobertura do setor de transportes, logística e infraestrutura, cortando os preços-alvo de nove companhias e rebaixando a recomendação de três delas. A tesourada atingiu nomes como Rumo (RAIL3), Localiza (RENT3), Movida (MOVI3) e JSL (JSLG3), sinalizando uma mudança de postura do banco em relação a um dos setores mais sensíveis aos ciclos econômicos.
Segundo relatório do banco, a Rumo e a Motiva (MOTV3) foram rebaixadas para uma recomendação “neutra”, enquanto a Hidrovias do Brasil (HBSA3) recebeu um downgrade para “venda”. A leitura é clara: o otimismo generalizado deu lugar a uma seletividade rigorosa. O Safra afirma continuar construtivo com os setores, mas agora prioriza empresas cujo retorno potencial justifique a exposição a um ambiente macroeconômico mais adverso e a juros persistentemente altos.
O filtro macro e os riscos específicos
A decisão do Safra reflete, em grande parte, uma atualização de suas premissas macroeconômicas e projeções que agora se estendem até 2026. O ajuste de expectativas é generalizado, afetando até mesmo as empresas que continuam com recomendação de compra. A Localiza, por exemplo, segue como a principal escolha (top pick) em transportes, mas viu seu preço-alvo ser reduzido de R$ 54,90 para R$ 47,60.
Além do cenário macro, o banco pesou riscos específicos de cada negócio. No caso da Rumo, o rebaixamento para “neutra” veio após uma valorização recente dos papéis, que limitou o potencial de alta para apenas 8%, segundo os cálculos do banco. Já para a Hidrovias do Brasil, o risco é mais tangível e preocupante: a crescente probabilidade de um El Niño de forte intensidade afetar as operações da companhia no Corredor Norte, elevando o risco de execução e impactando os resultados.
Os oásis de valor
Apesar dos cortes, o relatório aponta o que o banco considera ilhas de valor. A Localiza se sustenta como preferida pela “execução consistente, boa visibilidade para os resultados de curto prazo e valuation atrativo”, negociando a 8,2 vezes o lucro estimado para 2027. A Movida também manteve a recomendação de compra, com um potencial de alta de 53%, embora a alavancagem e a depreciação sigam como pontos de atenção.
Na vertical de infraestrutura, a EcoRodovias (ECOR3) assumiu a preferência, desbancando outros nomes. O principal atrativo, segundo o Safra, é a Taxa Interna de Retorno (TIR) real alavancada de 16,3%, a mais elevada entre as concessionárias acompanhadas. Em contrapartida, a holding Simpar (SIMH3) permaneceu com recomendação neutra, justamente por sua estrutura de capital alavancada, que a torna mais vulnerável à volatilidade dos juros.
A mensagem do Safra é que o momento não é de apostar no setor como um todo, mas de escolher a dedo as companhias que demonstram resiliência operacional e cujos valuations já embutem uma margem de segurança para as incertezas à frente. A era das apostas fáceis em logística parece ter chegado ao fim.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times




