Para o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, a corrida pela inteligência artificial não é uma ameaça, mas uma confirmação da robustez do setor financeiro brasileiro. Em um painel com outros executivos do setor, Sallouti argumentou que a capacidade de adaptação dos bancos a essa nova tecnologia é mais uma evidência de sua qualidade em gestão e inovação.

A visão destoa da narrativa comum de disrupção. Em vez de ver a IA como um desafio existencial, o executivo a enquadra como a evolução natural para uma indústria forjada em um ambiente de adversidades, como o legado inflacionário e a competição acirrada.

Do caos à vanguarda

A tese de Sallouti é que o DNA do setor financeiro nacional foi moldado pela necessidade de eficiência e resiliência. Décadas de instabilidade econômica e um mercado competitivo forçaram os bancos a investir pesadamente em tecnologia muito antes da ascensão da IA. Essa jornada teria criado uma base sólida de infraestrutura e cultura de inovação.

Nesse contexto, a IA não chega para revolucionar um setor estagnado, mas para potencializar um ecossistema já avançado. A organização de dados, a digitalização de serviços e a sofisticação na gestão de riscos — pré-requisitos para uma implementação eficaz de IA — já seriam ativos consolidados nas principais instituições financeiras do país.

O BTG como microcosmo

O próprio BTG Pactual serve de exemplo para essa visão. Sallouti destacou que a natureza digital do banco e sua base de dados organizada foram cruciais para a rápida adoção da tecnologia. Segundo ele, a inteligência artificial já permeia todos os departamentos da instituição, superando a fronteira da área de tecnologia.

O uso se estende da otimização da produtividade interna à melhoria da experiência do cliente, com mais velocidade e assertividade nas decisões. A leitura é que o mercado como um todo está preparado para transformar o potencial da IA em benefício direto para o consumidor final, e não apenas em ganhos de eficiência operacional.

A perspectiva de Sallouti inverte o jogo: os incumbentes, com seu histórico e escala, estariam em posição privilegiada para liderar a aplicação da IA, e não apenas reagir ao avanço das fintechs. A questão, portanto, não é mais se os bancos vão usar a tecnologia, mas como a usarão para redefinir as bases da competição no setor.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside