A Artists Rights Society (ARS), entidade sediada em Nova York que representa mais de 120.000 artistas para licenciamento de imagens nos Estados Unidos, anunciou uma colaboração estratégica com a Samsung Art Store. O objetivo é exibir obras de artistas representados pela ARS em televisores Samsung, inaugurando uma nova frente de monetização e divulgação no mercado de arte digital.

A parceria tem início com a obra do renomado expressionista LeRoy Neiman, conhecido por suas representações vibrantes de esportes, lazer e cenas cotidianas americanas. Uma coleção inicial de 33 trabalhos de Neiman já está disponível para licenciamento através da Samsung Art Store, com planos de expandir o portfólio para incluir outros artistas nos próximos meses.

Um Novo Canal para Artistas e Colecionadores

A iniciativa representa um avanço significativo para a ARS e seus representados. Tradicionalmente, a sociedade lida com licenciamento para diversas formas de publicação, desde catálogos de exposições e livros acadêmicos até capas de revistas e artigos de notícias. As taxas de licenciamento variam, podendo custar cerca de US$ 130 para uso na web e US$ 250 para reproduções impressas em interiores, com custos adicionais para capas. A parceria com a Samsung Art Store, que cobra uma assinatura mensal de US$ 4,99, abre um novo e promissor fluxo de receita, especialmente em um cenário onde publicações de arte físicas enfrentam desafios crescentes ou até mesmo o fechamento.

Tara Zabor, diretora executiva da Neiman Foundation, expressou otimismo: “LeRoy Neiman’s work has always had a remarkable ability to connect with audiences through its energy, color, and celebration of life. We’re thrilled to partner with Samsung and ARS to bring his art into homes around the world, introducing new audiences to his distinctive artistic vision while extending the reach of his enduring legacy.” A Samsung, por sua vez, vê na colaboração uma forma de enriquecer a experiência de seus usuários e celebrar o legado artístico. Kyle Menges, diretor de desenvolvimento de negócios da Samsung, afirmou: “We’re honored to partner with ARS to celebrate the legacy of artists like LeRoy Neiman, while ensuring that the estates entrusted with their legacies are fairly recognized and compensated.”

O Mecanismo de Licenciamento e Monetização

A ARS opera há quase 40 anos com a missão de conectar artistas a novos públicos por meio de acordos de licenciamento que acompanham as mudanças dos tempos e respeitam as práticas artísticas. Katarina Feder, vice-presidente e diretora de desenvolvimento de negócios da ARS, destacou essa longevidade e adaptação: “For nearly 40 years, our job at ARS has been to help artists encounter new audiences through licensing agreements that reflect the times and respect their practices.”

O modelo da Samsung Art Store, que já conta com cerca de 5.000 obras de 800 artistas em parceria com instituições como o Musée d’Orsay, o MoMA e o Metropolitan Museum of Art, agora incorpora um novo tipo de licenciamento. A maioria das obras já disponíveis na plataforma são de domínio público ou foram licenciadas através de acordos especiais. A inclusão de obras via ARS garante que os detentores dos direitos autorais sejam devidamente compensados pela propriedade intelectual utilizada na plataforma, como confirmou Andrea Fisher-Scherer, diretora geral de licenciamento de mercadorias da ARS: “In all cases, rightsholders are compensated for the use of their intellectual property on the Art Store.”

Implicações para o Mercado de Arte e Tecnologia

Esta parceria sugere uma tendência crescente de integração entre tecnologia e arte, onde displays digitais de alta qualidade se tornam telas para apreciação artística. Para os artistas e seus espólios, representa uma nova via de receita e exposição, potencialmente alcançando um público mais amplo e diversificado do que os canais tradicionais. A monetização via assinatura, embora modesta por usuário, pode se tornar substancial com a escala. Para a Samsung, fortalece o apelo de seus televisores como centros de entretenimento e decoração, agregando valor à experiência do assinante.

O modelo levanta questões sobre a curadoria futura e a diversidade de artistas incluídos. Se a estratégia inicial foca em nomes estabelecidos como Neiman, a expansão para outros artistas representados pela ARS pode trazer uma gama mais ampla de estilos e períodos. A forma como a ARS e a Samsung equilibrarão a representação de artistas vivos e falecidos, e a inclusão de obras de diferentes origens culturais, será crucial para o sucesso a longo prazo da iniciativa.

Perguntas em Aberto

O sucesso desta colaboração dependerá de diversos fatores. A capacidade de atrair e reter assinantes para a Samsung Art Store, a satisfação dos artistas e seus representantes com a remuneração e o alcance, e a expansão contínua do catálogo com obras de relevância e qualidade artística são pontos-chave. A ARS e a Samsung terão que navegar pelas complexidades do licenciamento de direitos autorais em um ambiente digital em constante evolução.

A adoção deste modelo por outras empresas de tecnologia e sociedades de direitos autorais pode redefinir o acesso à arte em ambientes domésticos e comerciais. O que antes era restrito a galerias e museus, agora pode estar a um clique de distância, transformando a maneira como interagimos com a arte no cotidiano.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews