O Banco Santander confirmou a contratação de Daniel Bassan, até então responsável pela operação do UBS no Brasil, para comandar sua área de Banca de Investimento e Corporativa (SCIB) no país. O movimento, noticiado pela imprensa local, preenche a cadeira deixada por Christian Egen, recentemente nomeado para a presidência da B3, a bolsa de valores brasileira.
A chegada de Bassan não é um fato isolado, mas o capítulo mais recente de uma notável "dança das cadeiras" no topo do mercado financeiro. Em março, o próprio Santander havia buscado na B3 seu novo CEO para o Brasil, Gilson Finkelsztain. A leitura é que o banco espanhol está montando um novo time de liderança para uma fase mais agressiva em sua principal operação fora da Europa.
Um xadrez de três pontas
As movimentações formam um triângulo estratégico entre Santander, B3 e UBS. Finkelsztain, com sua experiência à frente da bolsa, assume o comando da operação brasileira do Santander. Egen, um veterano do banco, leva sua visão para o comando da B3. Agora, Bassan, um nome de peso vindo de um concorrente direto na Faria Lima, chega para injetar nova energia na área de investment banking do Santander.
Para o banco espanhol, trazer um executivo do calibre de Bassan é uma declaração de intenções. Sinaliza a ambição de fortalecer sua presença em fusões e aquisições (M&A) e mercado de capitais, disputando espaço com os líderes locais Itaú BBA e BTG Pactual. A escolha de um "outsider" do mercado, em vez de uma solução interna, sugere a busca por uma nova cultura e abordagem para a área.
O timing da mudança é sintomático. Ocorre no momento em que a matriz do Santander anuncia uma oferta para adquirir os 10% de capital de sua filial brasileira que ainda não possui, um investimento de quase €2 bilhões. O movimento indica um desejo de maior controle e integração da operação brasileira. Com Finkelsztain no comando geral e Bassan na banca de investimento, o Santander parece estar montando o time para executar essa nova fase, consolidando o Brasil como pilar central de sua estratégia global. A questão é como essa nova configuração se traduzirá em participação de mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





