O Banco Santander está redefinindo sua estratégia operacional com um foco intensificado na inteligência artificial (IA), buscando eficiências que vão além da redução de custos diretos com pessoal. Héctor Grisi, CEO do Santander, descartou a ideia de que o banco esteja focado em cortes de quadro e, em vez disso, destacou os quase € 200 milhões em economias e eficiências já alcançados pela adoção da IA nos últimos doze meses. Grisi classificou esses resultados como "a ponta do iceberg" de um vasto potencial tecnológico ainda a ser explorado pelo grupo.
IA como Motor de Eficiência e Otimização
A estratégia do Santander em relação à força de trabalho é marcada por um acordo com sindicatos, que prevê um modelo voluntário e estável de prejubilações. Essa abordagem permite uma gestão organizada e previsível das reduções de pessoal, sem a necessidade de demissões em massa. No último ano, a instituição financeira reduziu seu quadro em 4.495 funcionários, totalizando 186.151 colaboradores, e diminuiu sua rede de agências em 481 unidades, para 6.548. Grisi enfatizou que, em nível de grupo, o foco não é a redução de pessoal, mas sim a otimização de recursos, com a gestão variando entre as geografias. Em mercados como a América Latina, por exemplo, a alta rotatividade de jovens profissionais, estimada entre 20% e 30%, apresenta um cenário diferente das operações em outras regiões.
O Desempenho da IA e a Adoção pela Equipe
O valor de negócio gerado pela IA foi estimado em quase € 194 milhões no período recente, um indicativo claro do impacto financeiro da tecnologia. O que surpreendeu positivamente a alta administração do Santander foi a rápida e generalizada adoção das ferramentas de IA por parte de seus funcionários em todos os níveis. O próprio CEO, aos 60 anos, admitiu utilizar a IA em seu dia a dia para otimizar seu tempo, o que reflete a facilidade de integração dessas novas tecnologias na rotina corporativa. Essa receptividade da equipe é vista como um fator crucial para o sucesso da estratégia de automação e eficiência do banco, abrindo caminho para novas oportunidades de aplicação e otimização.
Implicações para o Setor Financeiro
O movimento do Santander sinaliza uma tendência crescente no setor financeiro, onde a inteligência artificial se consolida não apenas como uma ferramenta de automação, mas como um pilar estratégico para a competitividade. A capacidade de gerar economias substanciais sem a necessidade de reduzir quadros pode reconfigurar a forma como os bancos gerenciam seus recursos humanos e operacionais. A adoção em larga escala e a aceitação pela força de trabalho indicam que a IA está se tornando uma competência essencial, capaz de impulsionar a inovação e a eficiência em um mercado cada vez mais digitalizado e competitivo.
O Futuro da IA no Santander e Além
A declaração de Grisi sobre a IA ser apenas "a ponta do iceberg" sugere que o Santander tem planos ambiciosos para a expansão de seu uso. A questão que se coloca é como o banco continuará a identificar e implementar novas aplicações de IA, garantindo que os benefícios se estendam para além da eficiência operacional, impactando também a experiência do cliente e o desenvolvimento de novos produtos e serviços. O sucesso inicial do Santander pode servir de modelo para outras instituições financeiras que buscam modernizar suas operações e se adaptar às novas realidades tecnológicas, moldando o futuro do setor bancário.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





