O Santander elevou o preço-alvo das ações da Cury (CURY3) para o final de 2026, fixando o novo patamar em R$ 52. O movimento posiciona a construtora como a principal escolha da instituição no setor de construção civil, sinalizando um potencial de valorização de 73% frente à cotação recente de R$ 30.
A revisão positiva, segundo relatório da casa, fundamenta-se em indicadores operacionais robustos, que incluem o aumento no volume de lançamentos, reajustes consistentes de preços e uma eficiente diluição de despesas administrativas. Mesmo diante de ajustes pontuais na expectativa de margem bruta, o banco projeta lucros líquidos crescentes para os próximos anos.
Fundamentos operacionais e resiliência
A tese do Santander para a Cury repousa sobre a capacidade da empresa de navegar em um cenário macroeconômico marcado pela volatilidade nos custos de insumos. A construtora mantém uma margem de backlog superior a 42%, o que oferece uma proteção estrutural contra pressões inflacionárias, especialmente pelo uso de índices como INCC e IGP-M nos contratos.
A velocidade de vendas (VSO) da companhia tem sido um diferencial competitivo relevante. Com a marca de 73,9% alcançada no primeiro trimestre de 2026, a Cury demonstra um ritmo de comercialização que supera a média do setor, reduzindo riscos de ciclo e otimizando a geração de caixa operacional.
Dinâmicas de mercado e valuation
O banco argumenta que a recente desvalorização do papel, que chegou a acumular queda de 30% desde o pico de fevereiro, reflete um movimento de mercado exagerado. O pessimismo estaria concentrado em preocupações com a inflação de materiais, mas negligencia a eficiência da gestão em repassar esses custos ao consumidor final.
Além disso, os múltiplos da Cury são vistos como atrativos, com a relação preço sobre lucro (P/L) projetada em 5,5 vezes para o próximo ano. A combinação de crescimento do lucro por ação (LPA) de 21% ao ano e um ROE estimado em 80% coloca a companhia em uma posição de destaque na alocação de capital dos investidores.
Perspectivas para o setor e stakeholders
A atratividade da Cury também passa pelo retorno aos acionistas, com a projeção de dividend yield de 12,7% para 2027. Para os investidores, o cenário sugere que a disciplina operacional da empresa é o principal motor de valor, mitigando as incertezas que frequentemente afetam o setor imobiliário brasileiro.
Para os reguladores e competidores, o sucesso da Cury serve como um termômetro da demanda por imóveis de médio padrão e da eficácia das estratégias de precificação em um ambiente de juros e inflação variáveis. A capacidade de manter margens elevadas enquanto expande o portfólio continua sendo o ponto de observação central.
Incertezas e monitoramento
Embora a visão do Santander seja otimista, o desempenho futuro permanece atrelado à estabilidade dos custos de construção e à manutenção da confiança do consumidor. A evolução da inflação de insumos, especialmente após oscilações no preço do petróleo, exigirá monitoramento constante.
Investidores devem observar se a Cury conseguirá sustentar o ritmo de lançamentos sem comprometer a qualidade das margens. A consistência na entrega de resultados trimestrais será o fiel da balança para validar as projeções de lucro para 2026 e 2027.
O mercado financeiro aguarda agora os próximos balanços para confirmar se a resiliência operacional da Cury conseguirá, de fato, superar as pressões macroeconômicas que ainda pairam sobre as incorporadoras brasileiras.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





