A São Martinho (SMTO3) encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com um desempenho robusto, registrando lucro líquido de R$ 172,8 milhões, uma alta de 64,6% frente ao mesmo período do ciclo anterior. O Ebitda ajustado da companhia atingiu R$ 1,94 bilhão, consolidando uma margem operacional de 48,8% que reflete a eficiência do setor sucroenergético no período.

O resultado financeiro foi acompanhado por uma receita líquida de R$ 2,24 bilhões, representando um crescimento de 29,1%. Segundo o relatório divulgado pela empresa, a performance operacional ao final do ciclo 2025/26 foi impactada por uma menor produtividade agrícola, decorrente da escassez de chuvas que afetou o desenvolvimento dos canaviais, um desafio que a gestão busca mitigar para o próximo biênio.

Recuperação climática e produtividade

O otimismo da São Martinho para a safra 2026/27 baseia-se, fundamentalmente, na normalização do regime de chuvas durante a entressafra. A empresa projeta uma moagem de 23,7 milhões de toneladas de cana, um avanço de 7,9% em relação ao ciclo recém-encerrado, com a expectativa de que o ATR médio suba para 142,5 quilos por tonelada.

A estratégia de crescimento não depende apenas do clima. A companhia incorporou ativos biológicos da Usina Santa Elisa e tem investido na padronização de práticas agrícolas e no uso de variedades genéticas mais produtivas. Esses movimentos sugerem uma tentativa deliberada de blindar a operação contra variações climáticas extremas, focando na otimização de cada hectare disponível.

O papel do etanol de milho

Curiosamente, o segmento de etanol de milho apresenta uma dinâmica distinta no guidance da companhia. A estimativa é de uma leve retração no processamento de milho e, consequentemente, na produção de etanol desta fonte, devido a um cronograma estendido de manutenção e implementação da segunda fase na Unidade Boa Vista.

Este movimento, embora resulte em queda de 5,4% na produção de etanol de milho para o próximo ciclo, aponta para uma visão de longo prazo. A prioridade da São Martinho parece ser a conclusão da infraestrutura industrial, sacrificando o volume de curto prazo para garantir maior capacidade de processamento e eficiência operacional nas fases subsequentes do projeto em Goiás.

Investimentos e alocação de capital

O plano de investimentos para 2026/27 totaliza R$ 2,95 bilhões, com um foco claro em modernização e expansão. A maior fatia, cerca de R$ 2 bilhões, está destinada à manutenção, refletindo a necessidade de sustentar a base agrícola ampliada após a aquisição de ativos da Santa Elisa.

O destaque fica por conta dos R$ 800 milhões reservados para expansão, um aumento de 20,7% que sinaliza a continuidade dos investimentos na unidade de etanol de milho. Para os investidores, o guidance indica uma empresa que equilibra a necessidade de renovação dos ativos biológicos com a expansão industrial, mantendo o controle de custos em melhorias operacionais.

Desafios e perspectivas

O que permanece incerto é a resiliência do mercado de commodities frente a possíveis oscilações nos preços do açúcar e do etanol. A São Martinho demonstra confiança, mas a execução do capex de R$ 2,95 bilhões será monitorada de perto pelo mercado, especialmente no que tange à eficiência da integração dos novos ativos.

A capacidade da empresa em entregar a meta de 3,37 milhões de toneladas de ATR dependerá da manutenção do cenário climático favorável. O setor sucroenergético brasileiro segue sob pressão para escalar produtividade, e a São Martinho posiciona-se como um termômetro de como a tecnologia e a gestão de ativos podem ditar o ritmo de crescimento no campo.

A trajetória da São Martinho nos próximos trimestres oferecerá pistas sobre a sustentabilidade dessa margem de 48,8% e a eficácia da estratégia de diversificação entre cana e milho. O mercado aguarda agora a confirmação de que os investimentos em expansão se traduzirão, de fato, em maior geração de caixa operacional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times