A narrativa de que a Inteligência Artificial inevitavelmente substituirá o trabalho humano encontrou um contraponto pragmático em São Paulo. Durante o evento SAS Innovate on Tour, Patrick Xhonneux, vice-presidente sênior de marketing global da gigante de analytics SAS, defendeu que o fator humano nunca foi tão importante quanto agora. A reportagem é do portal TIInside.

Para o executivo, a questão central não é se as pessoas importam na era da IA, mas como elas irão gerenciar a crescente complexidade que a tecnologia amplifica. A proliferação de dados nas empresas gerou um "gap de eficiência" e uma "enorme fadiga operacional". Nesse cenário, a IA não é a solução mágica, mas uma ferramenta poderosa que, se mal gerenciada, apenas intensifica o problema. A tese é que o futuro do trabalho não é a automação total, mas o empoderamento de profissionais para tomar decisões mais assertivas com o suporte da tecnologia.

A nova centralidade humana

A visão de Xhonneux reflete uma maturidade no debate sobre IA, afastando-se do deslumbre tecnológico para focar na governança. O argumento é que a eficácia de qualquer modelo de IA é diretamente proporcional à qualidade e à gestão dos dados que o alimentam. Este processo — de coleta, limpeza, curadoria e validação — é, e continuará sendo, uma atribuição fundamentalmente humana.

Nesse contexto, a confiança na tecnologia não emerge do algoritmo em si, mas da robustez do processo que o cerca. Quando Xhonneux menciona a necessidade de "precisão e repetibilidade", ele aponta para a importância da governança de dados como pilar para a adoção da IA em escala. O papel humano, portanto, desloca-se da execução de tarefas repetitivas para a supervisão estratégica do ecossistema de dados, garantindo que a ferramenta tecnológica produza resultados confiáveis e alinhados aos objetivos de negócio.

Do discurso à prática

O posicionamento do SAS sinaliza uma mudança no mercado: o foco está saindo da capacidade computacional dos modelos para a inteligência do processo de implementação. A verdadeira barreira para o sucesso da IA nas corporações não é a falta de algoritmos, mas a carência de estratégias de dados e de profissionais capacitados para supervisioná-las. O desafio é transformar o dilúvio de dados em um ativo estratégico, e não em um passivo operacional.

É aqui que reside a oportunidade para a "próxima geração de profissionais empoderados pela tecnologia", como define Xhonneux. A demanda não será por operadores de IA, mas por arquitetos de decisão que combinem conhecimento de negócio com a compreensão dos sistemas de dados. A promessa da IA, portanto, não é a de um futuro sem trabalho humano, mas a de um trabalho humano mais focado no que é insubstituível: contexto, julgamento e responsabilidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside