A Comissão Nacional dos Mercados e da Competência (CNMC) da Espanha projeta um futuro de crescimento robusto para o setor de comunicações eletrônicas por satélite. O avanço é sustentado por uma convergência de fatores tecnológicos e de mercado, incluindo a expansão das constelações de satélites em órbita baixa (LEO), o desenvolvimento acelerado do Internet das Coisas (IoT), a integração com as futuras redes móveis 5G e 6G, e a emergência de serviços inovadores de conectividade direta a dispositivos. No entanto, o órgão regulador espanhol é categórico em seu relatório: o satélite continuará atuando, primordialmente, como um complemento essencial às redes terrestres.
A nova era das constelações LEO
A principal força motriz por trás dessa projeção de crescimento é a revolução das constelações LEO. Diferentemente dos satélites geoestacionários tradicionais, que orbitam a Terra a cerca de 36.000 quilômetros de altitude, os satélites LEO operam a altitudes significativamente menores, na casa das centenas de quilômetros. Essa proximidade tem um impacto direto e profundo na performance da rede, reduzindo drasticamente a latência – o tempo de resposta entre o envio e o recebimento de dados. Consequentemente, essa nova geração de satélites permite oferecer velocidades de acesso à internet que rivalizam com as de redes terrestres, com aproximadamente 90% das conexões atingindo entre 100 e 300 megabits por segundo (Mbps).
Expansão e complementaridade no mercado espanhol
O relatório da CNMC aponta para uma expansão notável no número de conexões de internet via satélite na Espanha. Estimativas indicam um salto de pouco mais de 10.000 acessos no final de 2022 para cerca de 100.000 conexões até o final de 2025. Apesar desse crescimento expressivo, o satélite ainda representa uma fração pequena do mercado de banda larga fixa espanhol, correspondendo a aproximadamente 0,5% do total. Esse cenário é reflexo da alta penetração da fibra óptica no país. A tecnologia satelital, portanto, se consolida como uma solução estratégica para oferecer cobertura e garantir a continuidade dos serviços em áreas onde a infraestrutura terrestre é inexistente, de baixa qualidade ou sujeita a falhas. Atores como Starlink (SpaceX), OneWeb (Eutelsat), Amazon Leo, Viasat, Hispasat e Iridium estão moldando esse novo panorama competitivo.
Novos usos e resiliência em emergências
Além do acesso residencial, o alcance do satélite se estende a setores cruciais como o marítimo, aeronáutico, empresarial e governamental, além de impulsionar o IoT. Um dos avanços mais promissores é a tecnologia Direct to Device (D2D), que viabiliza a comunicação direta entre satélites e smartphones convencionais, sem a necessidade de equipamentos especializados. Colaborações entre operadoras de satélite, como a Starlink, e de telefonia, como Orange e Telefônica, já com autorização da Secretaria de Estado de Telecomunicações e Infraestruturas Digitais da Espanha, buscam integrar esta capacidade. Esse potencial antecipa um futuro onde dispositivos móveis poderão se conectar automaticamente a satélites em zonas sem cobertura convencional, demonstrando o valor inestimável da resiliência oferecida pela tecnologia satelital em situações críticas.
O futuro das comunicações por satélite na Espanha, segundo a CNMC, é de crescimento e integração. As novas constelações LEO e tecnologias como D2D prometem expandir o alcance e a qualidade dos serviços, mas o papel fundamental do satélite como um elo de segurança e cobertura complementar às redes de fibra e móveis parece assegurado. A capacidade de prover conectividade onde as redes terrestres falham ou não chegam, seja por limitações geográficas ou por desastres, reforça sua importância estratégica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





