A startup californiana Satyress revelou o Threehalves, um robô humanoide teleoperado com a forma de um centauro, projetado para atuar em trabalhos que expõem humanos a risco de vida, ferimentos ou condições extremas. A máquina foi discretamente apresentada pelo fundador, Beau Gaston, que trabalha no projeto desde 2022.
A proposta, segundo a empresa, não é substituir trabalhadores qualificados, mas sim dar-lhes "superpoderes". O foco está em tarefas hoje perigosas ou impossíveis devido a calor ou frio intensos, escuridão total ou outras condições "desumanas", de acordo com reportagem da publicação de design e arquitetura Dezeen.
Design como Declaração
Com cerca de 2 metros de altura, uma estrutura de quatro patas e um torso humanoide, o Threehalves se afasta deliberadamente da estética amigável vista em muitos robôs humanoides recentes, como o Neo da 1X ou o CLOiD da LG, voltados para o ambiente doméstico. O design é totalmente preto, com chifres e pequenos olhos brilhantes, uma escolha que o fundador defende como intencional.
Para Gaston, a aparência intimidadora serve para sinalizar a capacidade e o propósito da máquina, em vez de mascará-los com um exterior palatável. Em vez de mãos, o robô possui encaixes customizados para ferramentas pesadas, como motosserras, reforçando seu foco industrial e sua vocação para o trabalho pesado.
Da Floresta à Segurança Pública
A operação é remota, com um operador humano controlando a máquina a partir de um feed de vídeo, mantendo a perícia humana no comando, mas a uma distância segura. A estabilidade em terrenos acidentados é garantida por suas quatro patas, e a modularidade de seus componentes permite reparos rápidos no local de trabalho. Certos pontos fracos foram incluídos para permitir que o robô seja desativado instantaneamente com um instrumento pontiagudo.
Embora o foco inicial seja em setores como silvicultura e construção, a repercussão do design já atraiu um interesse inesperado. Gaston revelou que forças policiais entraram em contato para consultar sobre o uso do robô em segurança pública, um desdobramento que ele classificou como "surpreendente" e que aponta para potenciais aplicações não previstas inicialmente.
O Threehalves se posiciona como um contraponto na corrida dos robôs humanoides. Enquanto a maioria busca integração social e aparência amigável, a Satyress aposta que, para os trabalhos mais difíceis, a forma deve seguir a função — mesmo que o resultado seja uma máquina que, nas palavras da própria empresa, é "mais perigosa do que parece".
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





