Para a CrowdStrike, uma das principais empresas de cibersegurança do mundo, a era da inteligência artificial exige um novo manual de defesa. A tese, defendida por Daniel Danielle, vice-presidente de parcerias globais da companhia, é que a solução para os riscos exponenciais da IA não virá de uma única empresa ou tecnologia, mas de um ecossistema colaborativo.

Incidentes recentes, como o que a empresa chama de “Momento Mythos”, teriam deixado claro que a complexidade das vulnerabilidades em modelos de IA de fronteira superou a capacidade de resposta individual. Em entrevista ao portal TI Inside, o executivo afirmou que a resposta da CrowdStrike foi a criação do projeto QuiltWorks, uma coalizão que reúne consultorias como IBM, EY e Accenture, e até mesmo os laboratórios de pesquisa rivais OpenAI e Anthropic. O objetivo não é vender um produto, mas construir uma metodologia conjunta para avaliar e mitigar exposições.

Da sala de TI para o conselho

A leitura estratégica é que a segurança deixou de ser um tópico de bastidores para se tornar uma discussão central na mesa do conselho administrativo. Segundo Danielle, a IA apresenta uma dualidade: de um lado, um potencial de inovação e produtividade sem precedentes; do outro, uma superfície de ataque que se expande na mesma velocidade. Destravar o primeiro depende de gerenciar o segundo, tornando a governança de risco um pilar estratégico.

A democratização do ataque

Esse cenário se agrava com o que o executivo chama de “democratização do custo de um ataque”. Ferramentas de IA permitem que agentes maliciosos escalem operações com menos recursos, colocando empresas de todos os portes e geografias — incluindo a América Latina — na mira. A consequência direta é a necessidade de democratizar também o acesso a defesas de nível corporativo, algo que o modelo de coalizão busca endereçar.

A formação desses pactos de cooperação, envolvendo até concorrentes, sinaliza um amadurecimento do setor. A questão que permanece em aberto é se essa abordagem colaborativa conseguirá manter o ritmo da evolução das ameaças, que se beneficiam da mesma aceleração tecnológica que as empresas buscam dominar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside