Três aeroportos americanos em Iowa, Carolina do Sul e Flórida se preparam para substituir os agentes federais da Transportation Security Administration (TSA) por equipes de segurança privada a partir de 2027. A mudança faz parte de um novo programa batizado de TSA Gold+, uma parceria público-privada que expande um modelo já existente em outros 20 aeroportos do país, incluindo o de São Francisco.
A iniciativa é uma resposta direta ao caos operacional visto em paralisações recentes do governo americano, os chamados “shutdowns”. Durante esses períodos, o atraso no pagamento de salários de agentes federais gerou absenteísmo e, consequentemente, filas de segurança que se estendiam por horas. A leitura aqui é que o governo busca uma válvula de escape para garantir a continuidade das operações em infraestrutura crítica, isolando-a das batalhas orçamentárias de Washington.
O fantasma do 'shutdown'
O principal argumento para a expansão do modelo privado é a resiliência. Segundo reportagem do Business Insider, os 20 aeroportos que já operam com segurança terceirizada sob o Screening Partnership Program (SPP) mantiveram os tempos de espera normais durante a última grande paralisação. O novo TSA Gold+ aprofunda essa parceria: os contratados privados gerenciariam não apenas o pessoal, mas também a tecnologia dos postos de controle, embora sob supervisão federal.
O movimento sugere uma tentativa de calibrar o modelo de segurança pós-11 de setembro. A TSA foi criada justamente para federalizar e padronizar os procedimentos, retirando-os das mãos de empresas privadas consideradas falhas. Agora, o pêndulo parece se mover na direção contrária, priorizando a eficiência operacional e a experiência do passageiro, descritas pelo programa como benefícios chave.
Segurança como serviço?
O plano, contudo, enfrenta forte resistência. O sindicato que representa 47 mil agentes da TSA argumenta que a privatização “ignora as lições aprendidas com os ataques de 11 de setembro”. A crítica toca no ponto central do debate: a segurança aérea é um serviço público essencial que não deveria estar sujeito a lógicas de mercado ou à otimização de custos de um fornecedor privado?
A questão vai além das fronteiras americanas, ecoando um dilema global sobre o papel do Estado na gestão de infraestruturas estratégicas. Embora o modelo de segurança aeroportuária no Brasil tenha suas próprias particularidades, a tensão entre eficiência, custo e a responsabilidade intransferível da segurança pública é universal. O programa é vendido como uma forma de criar “oportunidades de receita” e “otimizar operações”, linguagem que soa dissonante quando o tema é a prevenção de atos de terrorismo.
O desempenho do TSA Gold+ nos aeroportos de Des Moines, Charleston e Tampa será um teste decisivo. O resultado irá sinalizar se a promessa de uma melhor experiência para o viajante pode, de fato, coexistir com os rigorosos padrões de segurança estabelecidos há mais de duas décadas, ou se a busca por eficiência acabará por reintroduzir os riscos que a própria TSA foi criada para eliminar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





