Seis países da União Europeia, encabeçados pela Espanha, formalizaram um apelo à Comissão Europeia por um plano de ação dedicado à proteção da indústria europeia de eletrodomésticos. O pedido surge em resposta a um cenário desafiador marcado pelo aumento dos custos energéticos, a escalada nos preços das matérias-primas e uma concorrência acirrada de produtores de países terceiros. Segundo os signatários, essa conjuntura já está resultando no fechamento de fábricas e na diminuição da capacidade produtiva dentro do bloco.

Um Ecossistema Estratégico em Risco

O documento, apresentado durante o Conselho de Competitividade em Bruxelas, enfatiza a necessidade de uma "atuação urgente a nível europeu, nacional e regional" para preservar e fortalecer um dos "ecossistemas manufatureiros estratégicos" remanescentes na Europa. Os seis governos argumentam que o setor de eletrodomésticos é vital para a economia e a base industrial da UE, sustentando cerca de um milhão de empregos diretos e indiretos e contribuindo com aproximadamente 79 bilhões de euros para o PIB. A indústria também suporta uma vasta cadeia de valor, desde a produção de aço e plásticos até a logística e reciclagem, além de ser um facilitador chave para a eficiência energética e a descarbonização.

A Ascensão Asiática e a Queda Europeia

Os países signatários fundamentam seu pedido no retrocesso observado na fabricação comunitária ao longo da última década. Dados apresentados indicam que a participação de eletrodomésticos provenientes da Ásia no mercado da UE saltou de 15,3% em 2014 para 28,2% em 2024. Em contrapartida, a quota da produção europeia caiu de 81,3% para 71,4% no mesmo período. Essa tendência preocupante levou as seis capitais a instarem o Executivo comunitário a reconhecer os eletrodomésticos como um "ecossistema industrial estratégico" e a desenvolver um programa europeu específico para impulsionar o investimento, a fabricação e a inovação no setor.

Propostas para um Campo de Jogo Justo

Entre as medidas propostas, destacam-se o reforço da vigilância de mercado e do cumprimento das normas para garantir uma concorrência equitativa, a redução de encargos administrativos para os fabricantes e uma utilização mais eficaz dos recursos financeiros da UE. Os países também sugerem aprimorar a rotulagem de origem dos produtos, alavancar políticas de economia circular para fomentar a indústria de reciclagem europeia, facilitar o acesso a aparelhos eficientes e desenvolver novos modelos de negócio. Adicionalmente, o documento propõe a revisão periódica do Mecanismo de Ajuste em Fronteira por Carbono (CBAM) para avaliar sua extensão a produtos em fases posteriores da cadeia de valor. As nações buscam também iniciativas "horizontais" mais amplas para reduzir os custos de energia e defender a base manufatureira da União contra práticas comerciais desleais.

Desafios e Incertezas Futuras

A solicitação dos seis países europeus reflete uma preocupação crescente com a competitividade da indústria do continente em um cenário global cada vez mais complexo. A dependência de matérias-primas e a pressão dos custos energéticos, somadas à ascensão de concorrentes asiáticos, criam um ambiente desafiador para os fabricantes europeus. A resposta da Comissão Europeia a este apelo será crucial para determinar o futuro de um setor que desempenha um papel fundamental na economia e na transição verde da União Europeia, abrindo um debate sobre a necessidade de políticas industriais mais robustas para salvaguardar empregos e capacidade produtiva.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España