A White Modular House, projetada pelo estúdio argentino SET Arquitectura, redefine a ocupação de encostas íngremes na província de Córdoba. Em vez de moldar o terreno para acomodar a construção, o projeto optou por elevar a estrutura sobre pilotis, permitindo que a residência de 280 metros quadrados flutue sobre a vegetação nativa. A abordagem, segundo a equipe de arquitetos, prioriza a preservação da topografia original, tratando a construção como um objeto abstrato que se destaca pela geometria racional em meio à irregularidade natural da paisagem montanhosa.
Estratégia de intervenção mínima
A escolha pelo sistema modular de aço não foi apenas uma decisão estética, mas uma solução logística e ambiental fundamental para o sucesso do projeto. Ao elevar a casa, o escritório reduziu drasticamente a necessidade de terraplanagem, um processo comum em construções de encosta que frequentemente resulta em danos irreversíveis ao ecossistema local. Esta técnica permite que o edifício repouse levemente sobre o sítio, mantendo o fluxo natural das águas e da fauna sob a estrutura, enquanto proporciona vistas elevadas e desobstruídas do vale para os moradores.
Geometria e funcionalidade modular
A organização espacial segue uma lógica de três níveis, conectada por uma circulação que valoriza a transição entre o exterior e o interior. A entrada, situada no pavimento central, é acessada por uma passarela metálica que prepara o visitante para a revelação gradual da paisagem. O uso extensivo de vidro, combinado com paredes brancas e pisos de madeira, cria um ambiente interno iluminado que se expande para terraços e plataformas externas. A piscina, um volume suspenso projetado sobre a inclinação do terreno, atua como o ponto focal dessa integração, funcionando como uma extensão da área social.
Diálogo entre o orgânico e o construído
O contraste intencional entre a precisão das linhas retas e a desordem orgânica da vegetação cordobesa é o pilar central da narrativa arquitetônica da obra. A escolha do branco como cor predominante busca reforçar essa distinção, transformando a casa em um marco visual que não tenta imitar a natureza, mas sim coexistir com ela. Para os arquitetos, essa dualidade é o que permite que a arquitetura contemporânea respeite o território sem abdicar de sua identidade formal.
Desafios da ocupação em encostas
O projeto levanta questões importantes sobre o futuro do desenvolvimento residencial em áreas de preservação ou difícil acesso. A White Modular House serve como um precedente técnico para arquitetos que buscam equilibrar a demanda por habitação de alto padrão com a crescente necessidade de práticas sustentáveis. Observar como a estrutura se comportará ao longo do tempo em um clima montanhoso variável será o próximo passo para validar a eficácia dessa tipologia modular em larga escala.
A execução bem-sucedida deste projeto sugere que a tecnologia construtiva, quando aplicada com contenção, pode ser uma aliada poderosa na conservação ambiental, transformando restrições geográficas em elementos definidores da experiência residencial. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





