A ilha remota, o silêncio quebrado apenas pelo som das ondas, o ar fresco da manhã. É nesse cenário que Seth Godin, um dos mais influentes pensadores contemporâneos sobre marketing, liderança e criatividade, nos convida a desatar os nós que nos prendem. Em seu novo livro, "The Knot: Problems Can Be Solved", Godin não oferece soluções rápidas, mas um convite à reflexão profunda sobre o que realmente nos impede de avançar. A premissa central é clara: muitas vezes, o que nos paralisa não é o problema em si, mas a nossa incapacidade de distingui-lo de uma situação que devemos, simplesmente, aceitar.

"Gravidade é uma situação. A lua é um problema", afirma Godin, citando a distinção feita por Mel Robbins. Uma situação é algo que não podemos alterar, algo que devemos reconhecer e, em seguida, seguir em frente. Tentar lutar contra a gravidade é uma batalha perdida. No entanto, chegar à lua, apesar da gravidade, é um problema que pode ser resolvido. A confusão entre esses dois conceitos — o inalterável e o solucionável — é o que nos mantém "transfixados", presos por uma lança imaginária. O autor argumenta que, ao olharmos para os problemas da maneira errada, desistimos cedo demais ou gastamos energia valiosa lutando contra o inevitável. A solução, portanto, reside em ver o problema com clareza e decidir qual é o trabalho a ser feito, soltando o que não serve mais a esse propósito.

Godin também explora a sutileza das palavras "mas" e "e", que ele chama de "duas palavras de três letras". Elas representam a dualidade de nossos desejos e as entranhas que nos prendem em um emaranhado de expectativas. "Quero correr a maratona, mas não quero me cansar" é um "mas" paralisante, que aponta para desejos mutuamente exclusivos. Em contraste, "Quero correr a maratona e estou ansioso para me cansar" é um "e" que nos impulsiona na direção certa. Ele ilustra essa dinâmica com a trajetória de Jackson Pollock. O artista, após um período de sucesso estrondoso, optou por mudar drasticamente seu estilo, buscando a vanguarda em vez de repetir fórmulas consagradas. Essa escolha, embora artisticamente corajosa, resultou em fracasso comercial inicial, depressão e, tragicamente, em sua morte. Pollock desejava ser inovador e, ao mesmo tempo, ser celebrado e compreendido, esquecendo que a inovação muitas vezes exige um período de isolamento e incompreensão. A lição é clara: "Temos que fazer uma coisa de cada vez. Podemos fazer muitas coisas ao longo do tempo. Uma coisa de cada vez." É preciso abandonar os "mas" que nos limitam.

As verdadeiras entranhas que nos prendem, Godin sugere, muitas vezes não estão presentes no momento ou no local onde nos encontramos. Elas são resquícios do passado ou projeções de futuros imaginados. Ele menciona o caso de Steve Ballmer, que criticou os primeiros iPhones, preso a um passado construído e a um futuro que ele via como ameaçado. Essa fixação em "como as coisas eram" ou "como deveriam ser" nos cega para as novas realidades e para as oportunidades que se apresentam. A jornada para desatar os nós exige um olhar para além do imediato, uma capacidade de discernir entre o que é uma situação a ser aceita e um problema que clama por solução. A clareza sobre o que é solucionável é o primeiro passo para a ação transformadora.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company