O setor de consultoria na Espanha encerrou o ano de 2025 com um faturamento de 23,6 bilhões de euros, um avanço de 7,5% em relação ao período anterior. Segundo dados da Associação Espanhola de Empresas de Consultoria (AEC), o desempenho do mercado nacional e internacional consolidou a atividade como um dos principais motores de competitividade do país, mantendo uma trajetória de crescimento superior à do PIB nominal por mais de uma década.
O mercado interno foi responsável por 16,5 bilhões de euros do montante total, enquanto a atividade internacional contribuiu com 7,1 bilhões. A leitura editorial aqui é que essa resiliência reflete uma dependência estrutural crescente de empresas e órgãos públicos por expertise externa para gerir complexidades operacionais e a transição tecnológica acelerada.
Dinâmica do mercado e setores clientes
A estrutura de demanda revela que o setor financeiro permanece como o maior cliente, absorvendo 30,1% das receitas, seguido pela Administração Pública, com 15,5%. Essa concentração setorial indica que a modernização estatal e a digitalização bancária continuam sendo as grandes alavancas de receita para as consultoras. O modelo de negócios também mostra uma clara predominância do outsourcing, que representa 45% do faturamento, seguido por desenvolvimento e integração de sistemas.
Expansão do capital humano
O quadro de pessoal atingiu 298.722 profissionais em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Esse crescimento é notável pela qualificação: quase dois terços da força de trabalho possuem formação em disciplinas STEM, com um forte investimento em treinamento contínuo. As empresas do setor investiram 108 milhões de euros em formação, superando significativamente a média de investimento por funcionário observada em outros setores da economia espanhola.
Investimento em inovação e IA
O setor investiu cerca de 1,4 bilhão de euros em inovação, o que representa 6,1% das receitas totais. A transição para metodologias avançadas é evidente, com 36,3% da receita já vinculada a projetos de alta complexidade tecnológica. A expectativa para os próximos anos é que a inteligência artificial se torne o principal diferencial competitivo, ampliando a distância em relação a tecnologias mais tradicionais.
Perspectivas futuras
Para 2026, a AEC prevê um crescimento de 5,9% no setor, sustentado pela demanda contínua por serviços de consultoria estratégica. O desafio para os próximos anos reside na capacidade das consultoras de manterem o ritmo de qualificação de talentos em um cenário onde a IA redefine as necessidades de produtividade. A colaboração público-privada deve continuar sendo o eixo central para a digitalização nacional.
O cenário aponta para uma consultoria cada vez mais integrada ao core business dos clientes, deixando de ser apenas um suporte externo para se tornar um braço estratégico essencial. Resta observar como a crescente automação via IA afetará a estrutura de custos e a necessidade de contratação de mão de obra qualificada a longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





