O mercado segurador espanhol encerrou o ano de 2025 com um volume de prêmios de 85,9 bilhões de euros, representando um crescimento de 13,8% em relação ao exercício anterior. O desempenho, detalhado em relatório da Mapfre Economics, reflete uma dinâmica robusta em diversos ramos, com destaque especial para a performance do segmento de Vida, que capturou grande parte da liquidez disponível no mercado.
Segundo o levantamento, o setor de Vida atingiu 35,9 bilhões de euros, um salto de 23,2% impulsionado pela busca por produtos de poupança em um ambiente de taxas de juros favoráveis. A leitura aqui é que a estratégia de alocação das famílias espanholas mudou, favorecendo instrumentos de capital diferido e rentas vitalícias, que ganharam tração significativa ao longo do período.
Dinâmica do segmento de Vida
A ascensão do Vida Ahorro, com alta de 26,8%, evidencia a maturidade dos investidores frente às opções de longo prazo. Produtos como os unit-linked, que vinculam o desempenho do seguro a ativos financeiros, consolidaram-se como pilares de atratividade. A rentabilidade agregada das entidades seguradoras subiu para 7,3 bilhões de euros, um incremento de 15,1%, elevando o ROE (Retorno sobre o Patrimônio) do setor para 15,8%.
Estabilidade no segmento de Não Vida
Enquanto o segmento de Vida brilhou, o setor de Não Vida sustentou um crescimento de 7,8%, totalizando 49,9 bilhões de euros. Este volume superou a inflação média do período, demonstrando que a demanda por proteção básica — como saúde, automóveis e multirriscos — permanece inelástica e resiliente. O seguro de Saúde, especificamente, registrou uma expansão de 11,5%, reforçando a tendência de busca por serviços privados de assistência.
Disparidades regionais e penetração
A estrutura do mercado revela desigualdades geográficas importantes, com a Comunidade de Madrid liderando o gasto per capita com 2.214 euros anuais, contrastando com regiões como Ceuta e Melilla, onde o dispêndio é significativamente menor. A penetração do seguro no PIB espanhol situou-se em 5,1%, um indicador que, embora sólido, ainda deixa margem para a expansão da cultura de proteção financeira no país.
Desafios e brechas de proteção
Um ponto de atenção levantado pela Mapfre Economics é o aumento da brecha de proteção, que alcançou 45,9 bilhões de euros, especialmente no ramo de Vida. Esse hiato indica que, apesar do crescimento nominal, a cobertura ainda é insuficiente para o nível de desenvolvimento econômico e social ideal, sugerindo que o mercado tem espaço para inovar na oferta de produtos de proteção.
O cenário para os próximos anos dependerá da manutenção das taxas de juros e da capacidade das seguradoras em converter a poupança acumulada em produtos de longo prazo. A estabilidade demonstrada em 2025 oferece uma base sólida, mas o setor enfrenta o desafio contínuo de fechar a lacuna de proteção, um indicador que será monitorado de perto por reguladores e investidores. A evolução do mercado espanhol serve como um termômetro para as economias europeias, onde a gestão de riscos e a previdência privada tornam-se cada vez mais centrais na estratégia financeira dos cidadãos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





