A inflação que varreu o mundo após a pandemia deixou uma conta permanente no bolso dos consumidores. Uma análise baseada em dados da OCDE, compilada pelo Visual Capitalist, quantifica essa perda: nos Estados Unidos, US$ 100 do final de 2019 hoje têm o poder de compra de apenas US$ 77,16, uma erosão de quase 23%.
O estudo, que abrange 35 países, revela uma profunda divergência na forma como as economias absorveram o choque inflacionário. A disparidade não é trivial e funciona como um placar da resiliência econômica e da eficácia das políticas monetárias adotadas em cada nação.
Os dois lados da moeda
Em uma ponta, a Suíça demonstrou notável capacidade de preservar valor, com uma perda de poder de compra de apenas 7%. Outros países que se destacaram na contenção de danos incluem Costa Rica (-8,3%) e Japão (-11%). Esses números sugerem que a estabilidade macroeconômica e a confiança na moeda foram fatores decisivos.
No extremo oposto, a Turquia representa um caso de colapso, onde os mesmos US$ 100 de 2019 valem hoje menos de US$ 11, uma destruição de quase 90% do poder de compra. Outras economias, como Hungria, Colômbia e Chile, também sofreram perdas superiores a 30%, indicando vulnerabilidades estruturais ou crises mais agudas.
O desempenho das potências
A perda de 23% nos EUA ajuda a explicar por que o custo de vida continua sendo uma queixa central para os americanos, mesmo com a desaceleração da inflação. O fenômeno é concreto: desde 2019, os preços da eletricidade subiram 45% e os aluguéis, 32%, segundo a reportagem. A inflação mais baixa não reverte os aumentos passados, apenas freia a velocidade de novas altas.
O cenário não é muito diferente em outras grandes economias. O Reino Unido viu uma perda de 23,5%, enquanto Alemanha, Canadá e Austrália registraram erosão em torno de 20%. Na América Latina, além de Chile e Colômbia, o México também figura com uma perda relevante, de 27,4%. Fica claro que mesmo as economias desenvolvidas não saíram ilesas.
Os dados servem como um lembrete sóbrio de que a estabilização da inflação não significa um retorno aos preços pré-pandemia. O desafio para governos, empresas e cidadãos agora é se adaptar a um novo patamar de custos, uma realidade econômica permanente deixada como legado dos últimos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





