O governo da Espanha oficializou a aprovação para a construção de um viaduto estratégico em Sevilha, destinado a completar o trecho sul da autovia de circunvalação SE-40. O projeto, que conecta Dos Hermanas e Coria del Río, prevê uma estrutura de 3,5 quilômetros de extensão sobre o rio Guadalquivir, com um orçamento estimado em 688,11 milhões de euros.

Esta decisão encerra um ciclo de duas décadas de incertezas e paralisações técnicas. A escolha pelo viaduto ocorreu após o fracasso da tentativa de construir um túnel subfluvial, que resultou em prejuízos milionários com equipamentos ociosos, incluindo a venda de uma tuneladora por apenas uma fração de seu custo original.

Engenharia e recordes continentais

O projeto se destaca por uma solução atirantada inovadora, cujo vão central de 366 metros evitará qualquer pilar dentro do leito do rio. A estratégia visa preservar a vegetação de ribera e a Zona de Especial Conservação do Bajo Guadalquivir, além de garantir a navegabilidade para grandes embarcações.

O aspecto mais notável da obra é o gálibo vertical de 70,80 metros. Esta medida, exigida pela Autoridade Portuária de Sevilha, permitirá que a estrutura supere o Puente de la Constitución de 1812, em Cádiz, tornando-se o viaduto rodoviário com a maior altura livre da Europa.

O fim de um gargalo logístico

Atualmente, a SE-40 possui apenas 38 dos 75 quilômetros planejados em operação. A falta de conexão direta entre Dos Hermanas e Coria del Río força o tráfego a utilizar a saturada SE-30, gerando congestionamentos crônicos que o novo projeto visa mitigar diretamente.

A conclusão do arco sul da SE-40 permitirá a interconexão de rodovias fundamentais, como a A-4, A-92 e a A-49. Para o ecossistema local, a obra representa não apenas uma melhoria na mobilidade urbana, mas a finalização de uma peça essencial na infraestrutura logística do sul da Espanha.

Desafios de execução e cronograma

Apesar da aprovação orçamentária, o caminho até a inauguração ainda é longo. A licitação da estrutura central não deve ocorrer antes de janeiro de 2027, com previsões governamentais indicando que as obras podem se estender até 2030 ou 2031.

O histórico de grandes obras na região sugere que a complexidade técnica pode influenciar os prazos finais. O sucesso desta empreitada dependerá da capacidade de execução do Ministério de Transportes em um terreno marcado por décadas de debate sobre a viabilidade de túneis versus pontes.

Perspectivas para a mobilidade

O que permanece incerto é o impacto real da obra no fluxo diário de veículos antes de sua conclusão total. A expectativa é que, uma vez finalizado, o viaduto transforme a dinâmica de transporte da região metropolitana de Sevilha.

O monitoramento do cronograma de licitações será o próximo passo para entender se o projeto seguirá o ritmo previsto. Resta observar como a engenharia lidará com os desafios específicos do terreno e se o orçamento de 688 milhões de euros será suficiente para cobrir as exigências técnicas da obra.

O avanço do projeto da SE-40 coloca Sevilha no centro de uma discussão sobre infraestrutura de grande escala na Europa, evidenciando o custo de longos períodos de hesitação política em projetos de mobilidade. A viabilidade da obra agora depende de uma execução rigorosa que acompanhe a ambição do desenho técnico apresentado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka