A Shein está prestes a concluir sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Hong Kong, mirando uma avaliação de mercado em torno de US$ 26,5 bilhões e uma captação de US$ 1,7 bilhão. Os números, apurados por fontes de mercado, representam um duro choque de realidade para a gigante do ultra fast-fashion.

A avaliação é um abismo se comparada ao pico de quase US$ 100 bilhões que a empresa atingiu em uma rodada privada em 2022, e também fica bem abaixo dos US$ 66 bilhões de uma captação em 2023. A tese aqui é clara: o apetite do mercado por modelos de crescimento a qualquer custo esfriou, e a Shein, agora, precisa provar que seu negócio é sustentável sob um novo escrutínio.

O preço da realidade

O ceticismo dos investidores, mesmo com o livro de ofertas totalmente coberto, tem fundamento. Segundo a reportagem original, a demanda do varejo não foi "excessivamente forte". A razão está nos próprios fundamentos da companhia. O crescimento da receita, antes explosivo, desacelerou para apenas 1,1% no primeiro trimestre, e a margem operacional está sob pressão.

Investidores se perguntam por que deveriam apostar na empresa agora, quando o momento de euforia passou. A combinação de custos crescentes, concorrência acirrada de players como a Temu e o cerco regulatório em mercados-chave na Europa e nos Estados Unidos formam uma tempestade perfeita que justifica o valuation mais sóbrio.

Entre a expansão e o escrutínio

O IPO em Hong Kong acontece após tentativas frustradas de listagem em Nova York e Londres, onde a empresa enfrentou forte resistência política e regulatória. A escolha por uma bolsa asiática é um movimento pragmático, mas não resolve os desafios operacionais nos seus principais mercados consumidores.

A empresa, fundada na China e hoje sediada em Singapura, planeja usar 80% dos recursos para aprimorar sua tecnologia e expandir o alcance global da marca. O capital é crucial, mas a listagem pública impõe um nível de transparência que o modelo de negócios da Shein, muitas vezes criticado por sua falta de clareza na cadeia produtiva e impacto ambiental, até hoje evitou. O dilema é como usar o novo capital para crescer sem amplificar as vulnerabilidades que derrubaram sua avaliação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times