A startup de defesa Shield AI anunciou um contrato de US$ 150 milhões com a Marinha dos Estados Unidos para impulsionar o desenvolvimento de seu caça autônomo. Este acordo federal representa um marco significativo para a empresa, que também está estabelecendo sua primeira grande unidade de fabricação em Des Moines, Washington. A nova instalação, apelidada de “X-Foundry 3”, terá 420.000 pés quadrados e visa expandir para um milhão de pés quadrados adicionais na região, com projeção de empregar cerca de 4.000 trabalhadores até o início da década de 2030.

Avanço na Defesa Autônoma

O contrato da Marinha, proveniente do Gabinete do Subsecretário de Defesa para Aquisição e Sustentação através do programa Defense Exportability Features, tem como objetivo incorporar recursos de segurança e exportação diretamente no design da aeronave. Essa abordagem permite que avançados equipamentos militares dos EUA sejam eventualmente vendidos a aliados internacionais sem expor tecnologias domésticas sensíveis. A Shield AI, sediada em San Diego, está complementando o valor do contrato com US$ 150 milhões de capital próprio, elevando o total de compromissos para o projeto para US$ 400 milhões, incluindo um investimento conjunto anterior de US$ 100 milhões.

Mecanismos de Operação e Inovação

O caça se destaca por sua capacidade de decolagem e pouso vertical (VTOL), dispensando a necessidade de pistas tradicionais. Ele pode operar a partir de navios de assalto anfíbio, contratorpedeiros, convés de carga comercial e até mesmo faixas de rodovia. O lançamento é realizado por um veículo especializado que ergue o jato verticalmente, permitindo seu transporte em rodovias ou embarcações. Brandon Tseng, cofundador e presidente da Shield AI, descreveu a aeronave como “transformadora e independente de pistas”, ressaltando que “poder aéreo sem pistas é o Santo Graal da dissuasão”. A urgência por essa capacidade foi evidenciada recentemente, quando a Força Aérea dos EUA retirou bombardeiros estratégicos de uma base no Reino Unido devido a potenciais ameaças de drones.

Implicações para a Indústria e o Futuro

A Shield AI planeja iniciar a produção da aeronave em Des Moines em 2028, com uma meta de produção de aproximadamente 150 jatos por ano no início dos anos 2030. Embora o protótipo esteja no Texas e os testes de voo ocorram no Kansas, a fábrica de Washington abrigará a linha de produção principal e as equipes de engenharia. Executivos da empresa enfatizaram a velocidade de desenvolvimento, com testes antecipados e paralelos de sistemas de missão e produção. Uma equipe de cerca de 500 engenheiros está atualmente construindo aeronaves de teste, com o software de autonomia Hivemind da Shield AI impulsionando o jato, projetado para missões de ataque em ambientes contestados onde GPS e comunicações via satélite podem ser bloqueados. A aeronave possui um raio de combate de 1.000 milhas náuticas, superando o F-35A da Lockheed Martin.

Perguntas em Aberto e Perspectivas

Os primeiros testes de voo estão agendados para o final de 2026, com as primeiras entregas de produção previstas para o final de 2028. J.J. “Yank” Cummings, chefe de soluções de missão da Shield AI para a Marinha dos EUA, destacou que a aeronave visa aumentar a letalidade e a capacidade de combate da aviação naval dos EUA. Seu design independente de pistas e a pequena pegada no convés podem aumentar a geração de saídas e estender o poder de combate aéreo de longo alcance. A capacidade de produção em larga escala e o desenvolvimento acelerado, em comparação com ciclos tradicionais de aquisição de defesa, posicionam a Shield AI como um player emergente no setor de defesa autônoma.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · GeekWire