A SLC Agrícola divulgou suas projeções para a safra 2026/27, sinalizando um potencial aumento no resultado operacional. As estimativas, que consideram uma área plantada de aproximadamente 854 mil hectares (um crescimento de 2,2% em relação à safra anterior) e um custo de produção por hectare também em alta de 2,2%, foram recebidas de forma distinta pelos principais bancos de análise. Itaú BBA e BTG Pactual mantêm recomendação de compra para as ações da companhia, enquanto o Safra adota uma posição neutra.

Análise dos Bancos: Compra ou Cautela?

As divergências entre os bancos se refletem nas recomendações e preços-alvo. O Itaú BBA, por exemplo, elevou sua estimativa de Ebitda ajustado para 2027 de R$ 2,9 bilhões para cerca de R$ 3,1 bilhões. O banco justifica a visão positiva com volumes de produção acima do esperado em algodão, soja e milho, além de operações de hedge e preços mais altos garantidos para soja e algodão. Contudo, o BBA alerta que os investidores devem ter cautela até que o impacto climático na próxima safra seja mais claro, e que parte da melhora já pode estar precificada nas ações.

O BTG Pactual também revisou suas projeções, esperando um aumento de cerca de 5% no Ebitda para 2027. O banco destaca a área maior, custos menores, produtividade mais forte do milho e melhores proteções comerciais como fatores positivos. A adaptação ao risco climático, com a redução do plantio de algodão de primeira safra e a expansão da segunda safra irrigada, também é vista como um ponto favorável. Ainda assim, o BTG pondera que o guidance oferece pouca margem para uma deterioração climática mais intensa, já que as premissas de produtividade não incorporam um cenário de clima adverso.

O Risco do El Niño e a Adaptação Climática

O principal ponto de atenção para os analistas é o risco associado ao fenômeno El Niño. O Safra, que mantém uma visão neutra, aponta que a elevação de 4,3% na sua estimativa de Ebitda ajustado para 2027 (excluindo IFRS 16) depende significativamente da produtividade do milho. A projeção da SLC para o rendimento do cereal ficou 23% acima da estimativa do banco, o que gera preocupação em um cenário de possíveis eventos climáticos adversos. Mudanças no regime de chuvas, especialmente na região do Matopiba, poderiam atrasar o plantio da soja e, consequentemente, empurrar o milho e o algodão de segunda safra para fora da janela ideal, pressionando a produtividade.

Implicações para o Setor Agrícola Brasileiro

A SLC Agrícola, como uma das maiores produtoras agrícolas do Brasil, serve de termômetro para o setor. A capacidade da companhia de gerenciar custos, otimizar a área plantada e mitigar riscos climáticos é crucial. Os investimentos em irrigação e a maturidade das terras são fatores que podem amenizar os impactos adversos, como aponta o BBA. A normalização das produtividades, após resultados anteriores excepcionais, também é vista como um movimento esperado e não necessariamente um sinal de deterioração operacional. A perspectiva de recuperação das margens e dos preços das commodities, defendida pelo BTG, é um cenário favorável, mas sua concretização dependerá diretamente das condições climáticas.

Perguntas em Aberto

Apesar das projeções otimistas da SLC Agrícola, o futuro próximo da companhia e do setor agrícola brasileiro ainda está sujeito a variáveis significativas. A intensidade e a duração do El Niño, bem como a eficácia das estratégias de hedge e de gestão de risco da empresa, serão determinantes para o cumprimento das metas. Os investidores observam atentamente se a companhia conseguirá traduzir suas projeções em resultados concretos, mesmo diante de um cenário climático desafiador. A capacidade de adaptação e resiliência da SLC Agrícola será, sem dúvida, um dos fatores mais observados nos próximos trimestres.

A divulgação do guidance da SLC Agrícola para a safra 2026/27 traz um panorama de otimismo moderado, mas a sombra do El Niño paira sobre as lavouras brasileiras. A divisão entre os analistas reflete a complexidade de precificar riscos climáticos em um setor tão vital para a economia do país. Resta saber como a empresa e o mercado reagirão às condições climáticas que se desenrolarem. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times