O cenário para a Bolsa brasileira, especialmente para as ações de empresas de menor capitalização (small caps), pode se tornar mais promissor caso o próximo governo eleito priorize o controle das contas públicas e a consequente redução da taxa básica de juros. Essa é a visão de Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, que destacou o potencial de valorização desses ativos em um ambiente de ajuste fiscal e juros menores.
Megale explicou que, embora o Brasil apresente um faturamento recorde em arrecadação, a situação fiscal se assemelha a uma empresa com altos ganhos, mas com prejuízo. Esse quadro reforça a necessidade de um controle de despesas mais rigoroso, em vez de depender apenas de aumentos de impostos. A credibilidade das medidas de austeridade fiscal será o principal fator para que o mercado reaja positivamente, sinalizando um caminho para a queda dos juros.
O cenário de incertezas e as expectativas de mercado
As eleições presidenciais, marcadas por incertezas quanto à composição da equipe econômica e à condução da política fiscal e monetária, geram volatilidade no mercado. A partir da definição do novo presidente, as primeiras sinalizações sobre os rumos econômicos terão um impacto imediato. Megale ressalta que, globalmente, o aumento dos gastos públicos desde a pandemia tem pressionado as contas dos governos, que, em geral, adiam ajustes fiscais por serem impopulares. No entanto, a pressão por equilibrar as contas públicas é inegável, seja por meio de cortes de despesas ou elevação de impostos.
A importância do ajuste fiscal para a queda dos juros
Um ajuste fiscal bem-sucedido, com controle efetivo das despesas, pode abrir espaço para a redução da taxa Selic. Megale argumenta que juros menores tornam os lucros futuros das empresas mais atrativos para os investidores, o que, por sua vez, impulsiona a avaliação dos ativos. A alta demanda por crédito, inclusive por empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial, também contribui para a pressão sobre os juros. A XP estima que os investimentos em data centers podem atingir US$ 1,4 trilhão em 2027, evidenciando a magnitude das necessidades de capital.
Small caps: a aposta para o cenário de juros em queda
Nesse contexto, as small caps aparecem como as principais beneficiadas. Empresas menores, com maior potencial de crescimento, tendem a se valorizar mais em um cenário de juros em queda, pois seus fluxos de caixa futuros se tornam mais valiosos. A capacidade do novo governo de apresentar e executar um plano fiscal crível será determinante para a confiança do mercado e, consequentemente, para a atratividade das ações brasileiras. A volatilidade do câmbio, por ora, parece menos influenciada por fatores domésticos, mantendo-se em torno de R$ 5,10.
Perguntas em aberto e o futuro da economia brasileira
Ainda que o diagnóstico sobre a necessidade de ajuste fiscal seja compartilhado por assessores de ambos os candidatos presidenciais, a execução das medidas concretas e o apoio do Congresso Nacional permanecem como pontos de atenção. A transição de um reconhecimento da necessidade para a implementação efetiva de políticas de controle de gastos definirá o ritmo e a magnitude da recuperação do mercado. A confiança na trajetória fiscal será o principal termômetro para a redução sustentada dos juros e o florescimento das small caps.
O cenário global, apesar de volátil, com incertezas geopolíticas e juros elevados, apresenta alguns pontos de favorabilidade para o Brasil, como a alta nos preços de commodities agrícolas, energéticas e metálicas, que impulsionam as exportações. A resiliência do real, mesmo diante de eventos domésticos recentes, sugere uma influência maior de fatores globais no curto prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





