A Smartbrain, fintech que fornece a infraestrutura tecnológica para gestores de patrimônio e family offices, anunciou a chegada de Ricardo Pacheco para a posição de co-CEO. Ele dividirá o comando com o fundador, Henrique Spinosa, em um movimento que sinaliza uma nova fase de ambição para a companhia.
Pacheco traz mais de 25 anos de experiência no setor financeiro e de tecnologia, com passagens relevantes pelo Itaú Unibanco e, mais recentemente, pelo grupo Evertec, atuando nos negócios que foram da Sinqia. A nomeação não é uma simples troca de cadeiras, mas uma transição estratégica: Spinosa passará a dedicar mais tempo ao desenvolvimento de novos produtos, com foco em inteligência artificial, enquanto Pacheco assume a tarefa de escalar a operação sobre a base já construída.
A estrutura para o próximo salto
O movimento da Smartbrain é um roteiro clássico de amadurecimento no setor de tecnologia. Após mais de duas décadas construindo uma plataforma robusta, que hoje atende cerca de 250 clientes institucionais e processa mais de 150 mil extratos de investimentos diariamente, o foco se desloca da engenharia fundamental para a criação de valor sobre essa infraestrutura. Nas palavras do próprio Pacheco, o que o atraiu foi encontrar uma empresa que “já passou pelo ciclo mais pesado de construção tecnológica e agora consegue acelerar em cima dessa base”.
Isso significa ir além da consolidação de dados. A estratégia passa por evoluir soluções como o SmartConnect, que integra APIs de custodiantes, aprofundar a conexão com o Open Finance e, principalmente, desenvolver aplicações de IA para automatizar tarefas de back-office. O objetivo é claro: transformar a base sólida em um motor de crescimento, não apenas um alicerce.
De consolidador a ecossistema
Com a nova estrutura de liderança, a Smartbrain busca deixar para trás a imagem de ser apenas um sistema de consolidação. O plano é posicionar a plataforma como um ecossistema completo para o mercado de wealth management. A tese é que, ao reduzir a carga de trabalho operacional dos assessores e gestores, a empresa libera tempo para que esses profissionais se concentrem em atividades de maior valor agregado, como a própria gestão e consultoria.
A divisão de papéis na cúpula reflete essa ambição. Spinosa, o fundador, fica imerso na inovação de longo prazo, explorando as fronteiras da tecnologia. Pacheco, o executivo de mercado, fica encarregado de transformar essa inovação em produtos escaláveis e rentáveis, trazendo a disciplina e a visão de quem já liderou áreas de transformação em gigantes como o Itaú.
O modelo de co-CEO é frequentemente usado para gerenciar transições complexas como esta, de uma startup liderada por seu fundador para uma empresa de escala. O desafio da Smartbrain será provar que a soma das partes é capaz de acelerar a companhia em um mercado de wealthtech cada vez mais competitivo, onde eficiência e inteligência são as moedas correntes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside


