O SoftBank Group apresentou um resultado que parece contraditório para seu primeiro trimestre fiscal, encerrado em junho. Segundo reportagem da Forbes España, o lucro líquido do conglomerado japonês caiu 17,7% na comparação anual, para 347,3 bilhões de ienes (cerca de €1,9 bilhão). Ao mesmo tempo, a receita cresceu 10,9%, para 2,02 trilhões de ienes.

A aparente dissonância nos números revela a essência da tese de investimento de Masayoshi Son: o resultado contábil do trimestre é menos relevante que o valor de longo prazo do portfólio. A queda no lucro esconde uma realidade mais complexa e, para Son, mais importante.

Ganhos de papel, apostas de concreto

O que realmente move o ponteiro para o SoftBank são os ganhos de capital com seus investimentos, que somaram 1,86 trilhão de ienes no trimestre — um salto de 287% em relação ao ano anterior. Esse valor é impulsionado principalmente por ganhos não realizados, ou “no papel”, em suas posições na Intel e na ByteDance, dona do TikTok. A performance do Vision Fund, embora positiva, recuou 30,3%, mostrando a volatilidade e a dependência de poucos e grandes acertos, uma dinâmica bem conhecida por startups brasileiras que receberam cheques do fundo.

Mas o movimento que redefine a escala do grupo é a aposta na OpenAI. O SoftBank informou que sua inversão acumulada de US$ 44,6 bilhões na empresa de IA já possui um valor justo de US$ 89,6 bilhões. Mais do que isso, o grupo se comprometeu a injetar mais US$ 30 bilhões, elevando o investimento total para quase US$ 65 bilhões por uma participação de aproximadamente 13%. É uma aposta que recontextualiza todo o resto.

Para Masayoshi Son, a queda no lucro trimestral parece ser apenas um ruído contábil. A verdadeira notícia está na escala da sua convicção de que a inteligência artificial é a plataforma que definirá a próxima década. Diante de uma aposta desse calibre, que visa moldar o futuro da tecnologia, o balanço do último trimestre se torna uma nota de rodapé.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España