Sony Music está intensificando sua batalha contra o uso não autorizado de inteligência artificial (IA) na criação de músicas que imitam seus artistas. A gravadora informou ao Financial Times ter solicitado a retirada de mais de 260.000 faixas geradas por IA. O número de pedidos tem crescido exponencialmente: em março de 2025, o total era de aproximadamente 75.000 solicitações; em março de 2026, o número saltou para 135.000. O foco principal do conflito não é a IA em si, mas sim a tecnologia utilizada para fabricar gravações que se passam por interpretações de artistas reais sem a devida autorização.

Ameaça à Identidade Artística

O cerne da questão reside na capacidade da IA de replicar vozes e estilos de artistas conhecidos, criando o que são essencialmente deepfakes vocais. Nomes como Harry Styles, Adele, Britney Spears, Queen e Michael Jackson estão entre os artistas cujas vozes foram supostamente imitadas em conteúdos solicitados para remoção. Essa tecnologia, embora abra novas portas para a criatividade, representa uma ameaça direta à integridade e aos direitos autorais dos artistas e de seus catálogos, erodindo a certeza de que uma voz reconhecível pertence de fato a um artista específico.

Desafios na Moderação e Regulamentação

A Sony Music enfrenta um desafio contínuo, pois o conteúdo denunciado pode ressurgir em plataformas digitais, exigindo um esforço constante de vigilância e novas solicitações de retirada. A gravadora argumenta que as plataformas precisam ir além de simplesmente responder a cada aviso, implementando medidas para impedir o reaparecimento do mesmo material. "Seguiremos fazendo valer os direitos de nossos artistas e esperamos que as plataformas ajam rapidamente e evitem que o mesmo conteúdo volte a aparecer, mas está se tornando uma luta cada vez mais difícil", declarou a empresa. A indústria musical, em geral, tem se posicionado a favor de regulamentações mais robustas, como a NO FAKES Act nos Estados Unidos, que busca criar proteções federais contra réplicas digitais não autorizadas. A proposta já avançou no Senado, mas ainda não se tornou lei.

IA na Música: Licenciamento e Futuro

É importante notar que a Sony Music não rejeita a IA por completo, mas estabelece limites claros sobre seu uso. A empresa explicitamente proibiu, em 2024, o uso de seus conteúdos para treinar, desenvolver ou comercializar sistemas de IA, a menos que haja permissão específica. Paralelamente, a gravadora tem explorado modelos baseados em música licenciada e tem colaborado com outros grandes grupos musicais para propor que gravações desenvolvidas com IA só possam figurar em listas oficiais se forem substancialmente humanas e utilizarem serviços autorizados. A escala do problema é vasta, com plataformas como a Deezer relatando o recebimento de quase 90.000 faixas geradas por IA diariamente em dias de pico, o que representa mais de 50% das novas submissões nesses períodos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka