A SpaceX avança em direção às suas próximas duas missões com a Starship, com o objetivo de encerrar 2026 com marcos importantes. O voo 15 está programado para novembro, com a ambição de realizar a primeira tentativa de captura tanto do booster quanto da nave. Já o voo 16, previsto para dezembro, pode marcar o primeiro lançamento da Starship a partir do Complexo de Lançamento 39A, na Flórida. Essa cadência resultaria em apenas cinco lançamentos totais da Starship em 2026, um número modesto em comparação com as centenas de lançamentos projetados a longo prazo a partir de Starbase.
Marcos do Voo 15 e Recuperação
A próxima missão, voo 15, tem como data alvo 8 de novembro. Para atingir este cronograma, tanto o booster quanto a nave precisam completar um teste crucial: o static fire. A nave 42, designada para este voo, teve seus motores removidos após um teste de crioprova, possivelmente relacionado a uma falha de software no computador de um dos motores Raptor Vacuum (RVac) observada durante o voo 14. Elon Musk descreveu o incidente como um "glitch" isolado, não indicando um problema de hardware generalizado. A remoção dos motores pode ter sido necessária para validação de atualizações de software em McGregor ou para realizar testes criogênicos adicionais após modificações internas na nave. O booster 22, com todos os motores instalados, aguarda transporte para a Pad 2 para seu próprio static fire. Musk confirmou a intenção de tentar a captura de ambos os veículos (booster e nave) após o voo, o que seria a primeira recuperação completa e abriria caminho para o reuso.
Voo 16: Nova Base e Cadência Acelerada
O voo 16 deve utilizar o booster 23 e a nave 43. O booster 23 já passou por testes de crioprova e está em preparação para a instalação de motores. Embora Musk tenha sugerido que o "próximo voo" poderia usar os veículos recuperados do voo 15, o voo 16 é mais provável de prosseguir sem esperar por essas verificações pós-captura. Isso é especialmente relevante se a missão for destinada a inaugurar o uso do Complexo 39A na Costa Leste, com um alvo de lançamento em dezembro. A transferência dos veículos para o Kennedy Space Center exigirá o uso da barcaça "You’ll Thank Me Later". Uma vez em KSC, os veículos passarão por verificações na nova Gigabay antes de serem movidos para a Pad 39A, onde a infraestrutura será testada com carregamentos de propelente e culminará em um static fire. O sucesso desta campanha é fundamental para o primeiro lançamento da Starship a partir da Costa Leste antes do fim do ano.
Expansão de Produção e Infraestrutura
Além dos próximos voos, a SpaceX está expandindo agressivamente sua capacidade de produção e infraestrutura de lançamento. Novos locais estão sendo desenvolvidos em Cape Canaveral (Pads 37A e 37B) e Starbase (renovação da Pad 1). Um potencial complexo em Louisiana também está em consideração. A empresa submeteu um pedido ao FAA para revisar o impacto ambiental, visando autorizar até 456 lançamentos e 912 pousos por ano em Starbase, um salto drástico em relação aos atuais limites de 25 lançamentos e 50 pousos. Essa expansão, dividida em duas fases, visa aumentar a produção para suportar uma cadência muito maior, reduzindo os longos intervalos entre os voos observados até agora.
Implicações Regulatórias e Futuras
A proposta ao FAA inclui a possibilidade de lançamentos a qualquer hora e dia da semana, removendo restrições atuais. A Fase 1 permitiria 100 lançamentos anuais e 200 pousos combinados, enquanto a Fase 2 almeja 456 lançamentos e 912 pousos. A autorização para pousos em Starbase se aplicaria mesmo a veículos lançados de outros locais, como a Flórida. A SpaceX também planeja flexibilidade nas zonas de pouso, incluindo a opção de splashdown em vez de captura. A aprovação final deste plano ambiental é um processo multifásico que determinará as condições e a viabilidade de alcançar as altas taxas de voo projetadas para o sistema Starship.
O caminho para a operacionalização completa da Starship, com sua cadência de lançamentos e reutilização ambiciosas, ainda enfrenta desafios regulatórios e técnicos. Os próximos voos de 2026 serão cruciais para validar a tecnologia de recuperação e a capacidade de operar a partir de novas bases. A aprovação do plano ambiental do FAA definirá o futuro da produção e lançamento em larga escala.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · NASASpaceflight




