Stephanie Rosenthal, que recentemente assumiu a direção de projeto do Guggenheim Abu Dhabi, foi anunciada como a nova diretora artística do Museu Boijmans Van Beuningen, em Rotterdam. Sua posse está prevista para setembro de 2027, marcando uma nova fase para a instituição holandesa, que passa por um extenso processo de renovação.
A nomeação de Rosenthal ocorre em um momento de transição significativa para o museu. Após fechar em 2019 para uma reforma completa, o Boijmans Van Beuningen enfrentou desafios adicionais com a descoberta de amianto, que complexificou o cronograma de reabertura de seu edifício principal, agora previsto para não antes de 2030. Durante esse período, o Depot, um moderno espaço de armazenamento de arte acessível ao público, tem servido como principal local para exposições.
Curadoria em Transição
A trajetória de Rosenthal sugere um foco em inovação e na redefinição do papel do museu no século XXI. Sua experiência no Gropius Bau, em Berlim, desde 2018, foi marcada pela expansão do escopo curatorial, com maior atenção a artistas contemporâneos fora da Europa Ocidental e pela criação de um programa de residência artística. Antes disso, ela passou uma década como curadora-chefe na Hayward Gallery, em Londres. A nomeação para o Guggenheim Abu Dhabi, que deve abrir em dezembro, adiciona uma camada de experiência em projetos de grande escala e colaboração internacional, supervisionando as preparações finais de um museu aguardado por duas décadas.
Desafios e Ambientes de Inovação
Rosenthal expressou inspiração por instituições que utilizam momentos de transição para inovar. O Museu Boijmans Van Beuningen, com seu ambicioso projeto de Depot e a revitalização de seu edifício modernista, parece se alinhar a essa visão. A diretora destacou a oportunidade de expandir sua experiência em colaboração com diversos públicos, artistas e parceiros para criar um "senso dinâmico e acolhedor de lugar e pertencimento". A renovação do edifício principal, projetado originalmente em 1935 e classificado como monumento nacional, impõe regulamentações rigorosas, adicionando complexidade à sua restauração.
O Futuro do Boijmans Van Beuningen
A nova diretora sinalizou o desejo de "abrir novas conversas entre eras e práticas artísticas através da coleção excepcional de arte e design do museu". A ambição é enriquecer a relação da instituição com Rotterdam, uma cidade portuária historicamente moldada pela troca cultural e diversidade. A gestão de Rosenthal no Gropius Bau foi elogiada por sua abordagem inclusiva e pela introdução de programas inovadores, como residências artísticas, que podem ser replicados em sua nova função.
Diálogo Global e Local
A nomeação de Stephanie Rosenthal reflete uma tendência global na curadoria, valorizando diretores com experiência internacional e um olhar para a diversidade. Sua trajetória, marcada pela expansão do foco curatorial no Gropius Bau e pela introdução de programas inovadores como residências artísticas, demonstra um compromisso com novas vozes. Essa abordagem, combinada com sua habilidade em navegar por projetos complexos como o do Guggenheim Abu Dhabi, a posiciona como uma figura chave para o futuro do museu holandês. A expectativa é que ela utilize essa bagagem para trazer novas perspectivas à gestão do acervo e aprofundar o engajamento do Boijmans Van Beuningen com a comunidade local e internacional, reinventando a instituição após seu longo período de reformas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





