O mercado financeiro brasileiro pode experimentar um breve período de euforia caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição presidencial de outubro. Essa é a avaliação de Luis Stuhlberger, gestor da Verde Asset Management, que, no entanto, aconselha cautela aos investidores. Em sua visão, o otimismo de curto prazo não deve mascarar a falta de um plano de governo consistente e de liderança forte por parte do principal candidato de oposição.

"Vai ter uma euforia no curto prazo, mas, no longo prazo, Flávio é um cara fraco, não tem ‘punch’, não tem um projeto de governo", afirmou Stuhlberger em um evento da Monte Bravo em São Paulo. Ele ressaltou que a complexidade dos desafios brasileiros exige um líder com "moral" e capacidade de execução, algo que, em sua opinião, falta ao senador. "Acho que o Brasil vai ser aquele negócio: não se encante com excesso de otimismo."

Um Alívio sem Grande Projeto

Ainda assim, Stuhlberger sinalizou que uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria um alívio para os mercados, mesmo que o candidato não apresente um programa de governo substancial. O simples afastamento do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do cargo já seria suficiente para gerar um sentimento positivo, especialmente pela expectativa de uma redução na expansão dos gastos públicos. Essa perspectiva, segundo o gestor, animaria tanto investidores locais quanto estrangeiros, que buscam sinais de maior responsabilidade fiscal.

A avaliação de Stuhlberger estende-se à equipe de campanha de Bolsonaro, que, em sua opinião, conta com "gente boa". Ele citou especificamente Daniela Marques, assessora econômica do senador, como uma profissional excelente. Contudo, ele especula que Marques não ocuparia o Ministério da Fazenda em um eventual governo Flávio, mas sim o posto de CEO do Banco do Brasil, um cargo que, segundo ele, necessita de uma "melhora" e seria um "sonho" para ela.

Assimetrias de Mercado e Câmbio

No que tange aos mercados, Stuhlberger percebe uma assimetria nas taxas de juros. Um cenário com Lula na presidência seria "muito ruim" para a economia, enquanto uma vitória de Bolsonaro seria "moderadamente bom". Essa diferença se deve, em parte, ao patamar atual dos juros norte-americanos, que limitam a margem de manobra para uma queda significativa da taxa de juros no Brasil. Quanto ao câmbio, o gestor projeta que o dólar poderia atingir R$ 5,50 em um governo Lula, mas ficaria em torno de R$ 4,80 com Bolsonaro. Ele ponderou, porém, que o Banco Central interviria para conter uma eventual disparada do dólar, caso atingisse esse nível.

A bolsa de valores brasileira, segundo Stuhlberger, poderia experimentar uma "porrada insana" com a eleição de Flávio Bolsonaro. Em contrapartida, ele não antecipa um movimento de queda acentuada caso Lula seja reeleito, uma vez que o múltiplo preço/lucro, excluindo ações de commodities, já se encontra próximo da média histórica observada em governos petistas anteriores. Ele também destacou a baixa exposição de investidores locais e estrangeiros a ações brasileiras.

Preocupações com o Futuro e Desaceleração

Stuhlberger expressou um pessimismo maior em relação a um novo governo Lula, especialmente quando comparado à visão de investidores estrangeiros, que esperam "mais do mesmo". Ele acredita que Lula, mesmo que eleito, não iniciará 2027 com um aumento expressivo de gastos, pelo menos no primeiro ano de mandato, buscando alguma estratégia de contenção. Contudo, sua principal preocupação reside na iminente desaceleração econômica, impulsionada pelo consumo e pelo endividamento excessivo das famílias.

"E se você tem uma recessão, o governo vai ficar em pânico… vai jogar mais crédito e mais aval jogando essa conta para o futuro", alertou o gestor. Ele avalia que, embora o mercado possa não reagir negativamente de forma drástica no início, a probabilidade de "algo dar muito errado em um ou dois anos é grande". Essa perspectiva requer atenção e reflexão por parte dos agentes econômicos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney