Um Super El Niño em 2026/27 pode significar a perda de 17,6 milhões de toneladas de soja no Brasil, o que representa uma queda de 10% na produção nacional. A estimativa é da Serasa Experian, que, em um estudo, combinou modelos climáticos, mapeamento por satélite e dados de produtividade da Conab para simular cenários. O impacto econômico potencial, a preços de outubro de 2026, seria de R$ 33 bilhões no valor bruto da produção (VBP). A análise não é uma previsão de safra, mas uma simulação que compara o desempenho em um cenário de El Niño forte com um de clima neutro, mantendo a mesma área plantada de 49,9 milhões de hectares.
O impacto desigual do clima
Os efeitos do fenômeno climático não são homogêneos em todo o território nacional. Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, explicou que o El Niño pode trazer mais chuva para o Sul do Brasil, o que é benéfico para a safra de soja. No Rio Grande do Sul, a produtividade estimada pode subir de 2,3 para 3,1 toneladas por hectare, elevando a produção total de 16,7 para 22,3 milhões de toneladas. Esse ganho pode compensar parte das perdas projetadas para outras regiões.
Centro-Oeste em alerta
Em contrapartida, estados do Centro-Oeste como Mato Grosso e Goiás enfrentam um cenário adverso. Em Mato Grosso, a produtividade de soja pode cair de 4 para 3,2 toneladas por hectare, resultando em uma redução de produção de 51,2 para 41,5 milhões de toneladas. Sabrina Muñoz, gerente de inteligência de dados agro da Serasa Experian, alertou que a irregularidade das chuvas e o risco de veranicos podem comprometer o estabelecimento das lavouras e a germinação, exigindo replantio e diminuindo o potencial produtivo. Goiás, por sua vez, pode deixar de colher 4 milhões de toneladas. Somadas, as perdas em Mato Grosso e Goiás chegam a 13,7 milhões de toneladas.
Implicações para o agronegócio
A projeção da Serasa Experian destaca a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro às variações climáticas, especialmente em um contexto de eventos extremos como o Super El Niño. A perda estimada de 17,6 milhões de toneladas de soja, concentrada em importantes polos produtores como Mato Grosso e Goiás, pode ter repercussões significativas na balança comercial e na economia como um todo. A volatilidade climática exige que o setor invista cada vez mais em tecnologias de monitoramento, gestão de riscos e práticas agrícolas adaptativas para mitigar os impactos negativos e aproveitar as oportunidades, como o potencial aumento de produção no Sul do país.
Perguntas em aberto
Embora o estudo da Serasa Experian ofereça uma projeção clara do impacto potencial do Super El Niño, ainda restam questões sobre a precisão dessas estimativas e a capacidade do setor de se adaptar. A forma exata como a chuva se distribuirá e a intensidade dos veranicos ainda são incertezas que podem alterar o cenário. Além disso, a resposta do mercado e as estratégias de hedge adotadas pelos produtores também influenciarão o impacto econômico final. A capacidade de resposta e adaptação do agronegócio brasileiro a esses eventos climáticos extremos será crucial para determinar a resiliência do setor nos próximos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Capital Reset





