A startup londrina Suri, que ganhou tração no mercado de higiene pessoal com suas escovas de dente elétricas, acaba de anunciar uma nova frente de negócios: a reinvenção da embalagem e do consumo de pasta de dente. Após dois anos de desenvolvimento, a empresa aposta em um sistema de bomba reutilizável, desenhado para eliminar o uso de tubos convencionais, que frequentemente terminam em aterros sanitários por dificuldades de reciclagem.
O movimento da Suri não é apenas estético, mas estrutural. Segundo reportagem da Fast Company, a marca busca resolver o problema dos tubos de plástico de uso único, que permanecem como um dos itens mais difíceis de descartar corretamente no ecossistema de consumo global. A empresa projeta faturar mais de US$ 63 milhões este ano, consolidando sua presença em grandes varejistas como a Target.
O desafio da engenharia de precisão
O desenvolvimento do produto exigiu atenção rigorosa à mecânica de bombeamento. Ao contrário de dispensadores comuns, a Suri criou uma bomba airless, que utiliza uma placa interna para empurrar o gel, garantindo que 100% do conteúdo seja aproveitado. O design foi pensado para evitar o acúmulo de resíduos e garantir uma dosagem precisa a cada uso, um ponto crítico para a experiência do usuário.
A escolha técnica por uma bomba robusta reflete a preocupação da empresa em evitar a frustração comum em sistemas recarregáveis de baixa qualidade. O cofundador Gyve Safavi enfatiza que, para migrar consumidores de um formato consolidado como o tubo, a experiência de uso não pode ser inferior. A durabilidade do dispositivo foi testada para suportar anos de uso diário, justificando o investimento inicial no sistema.
Sustentabilidade além do plástico
Além do hardware, a Suri reformulou a composição do produto. O gel substitui ingredientes tradicionais, como o flúor, por nano-hidroxiapatita, um composto desenvolvido pela NASA que visa fortalecer o esmalte dentário sem interferir no microbioma oral. A ausência de óleo de palma e dióxido de titânio também marca a diferenciação da marca no mercado premium.
O diferencial ambiental reside nos refis, fabricados com um material à base de plantas chamado Vivomer. Este polímero, baseado em PHA, foi escolhido por sua capacidade de decomposição rápida em ambientes de compostagem doméstica. A empresa optou por essa via após concluir que a reciclagem convencional de tubos, apesar de tecnicamente possível, é ineficaz diante da infraestrutura municipal atual.
O conceito de produto amável
A estratégia da Suri ilustra uma mudança de paradigma em hardware. Enquanto o mercado de software foca no conceito de "mínimo produto viável" (MVP), a Suri defende o "mínimo produto amável". Para o cofundador Mark Rushmore, o consumidor de produtos físicos não perdoa erros de design, exigindo que a primeira interação seja impecável para gerar lealdade à marca.
Essa abordagem reflete a dificuldade de iterar em bens de consumo em comparação com o mundo digital. O sucesso da startup dependerá da capacidade de manter a escala e a aceitação do público, especialmente diante de um modelo de negócio que exige a compra recorrente de cartuchos, vendidos separadamente ou em pacotes de três unidades.
Perspectivas de mercado
A adoção de sistemas recarregáveis enfrenta o desafio da conveniência e do custo. Com o kit da bomba custando US$ 15, a empresa testa a disposição do consumidor em pagar um ágio pela sustentabilidade e pelo design. O mercado observará se essa proposta de valor, que une eficiência de uso e consciência ambiental, conseguirá competir com as marcas legadas.
A expansão da Suri para o varejo físico será o verdadeiro teste de fogo. Resta saber se o apelo estético e a promessa de sustentabilidade serão suficientes para alterar hábitos enraizados de consumo, ou se o modelo permanecerá restrito a um nicho de entusiastas de design e sustentabilidade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





