A gestora de ativos suíça Swisscanto, braço de investimentos do Zürcher Kantonalbank, iniciou um movimento estratégico de rebalanceamento em seu portfólio. Segundo reportagem da Forbes España, a firma reduziu sua liquidez em quase 4% e cortou a exposição à renda fixa em 1%, direcionando o capital para uma aposta mais agressiva em renda variável e ativos alternativos, como títulos catastróficos.
O movimento reflete uma busca por retornos reais mais elevados diante do cenário atual de taxas de juros. Gonzalo Ramón-Borja Álvarez de Toledo, diretor da gestora na Espanha, argumenta que o mercado oferece caminhos mais rentáveis do que a alocação conservadora em títulos europeus de curto prazo, sugerindo uma diversificação que inclui bônus corporativos híbridos e conversíveis contingentes para elevar a performance anual da carteira.
A lógica por trás da diversificação em renda fixa
A estratégia da Swisscanto propõe uma alteração estrutural na carteira de renda fixa. Ao substituir parte dos títulos europeus de curto prazo por uma combinação de bônus corporativos globais, conversíveis contingentes (CoCos) e ativos de alto rendimento (high yield), a gestora projeta um aumento significativo na rentabilidade anual. O modelo aponta para uma subida de 2,84% para 3,69% ao ano, embora com uma leve redução na nota de crédito média da carteira.
Para mitigar os riscos inerentes a essa alocação em ativos de maior retorno, a recomendação da casa é focar em estruturas de capital protegidas por colaterais tangíveis. O executivo ressalta que a percepção de que os spreads de crédito estão estreitos demais é um viés de comparação com períodos de juros muito baixos. Hoje, a rentabilidade total dos títulos é superior, oferecendo uma margem de segurança maior contra eventuais quedas de mercado.
O potencial dos mercados emergentes
A aposta em mercados emergentes é o pilar central da nova alocação em renda variável. A Swisscanto observa um descompasso estrutural: embora essas economias representem cerca de 60% do PIB global ajustado por paridade de poder de compra, sua participação nos índices acionários globais, como o MSCI ACWI, permanece desproporcionalmente baixa, em torno de 11%. A gestora identifica descontos de até 30% em relação aos mercados desenvolvidos.
Além do valor intrínseco, a tese de investimento se sustenta na mudança da dinâmica inflacionária nessas regiões. Países emergentes não precisam mais desvalorizar suas moedas para ganhar competitividade, e a China atua agora como uma força exportadora de deflação para esses mercados. Esse cenário cria, segundo a análise da firma, um ambiente propício para o crescimento rentável através de megatendências, com destaque para a eletrificação e infraestrutura energética.
Tecnologia e o ciclo da Inteligência Artificial
No que tange à inovação, a Swisscanto mantém o foco na monetização da Inteligência Artificial, prevista para ganhar tração no segundo semestre de 2026. A gestora observa que empresas de diversos setores estão utilizando o financiamento via mercado de capitais e geração de caixa para viabilizar a implementação tecnológica. O impacto no mercado de trabalho, embora monitorado, ainda não apresenta sinais de ruptura abrupta ou demissões em massa.
Quanto ao cenário macro, a postura da gestora é de resiliência diante da volatilidade geopolítica. A avaliação é que o mercado está habituado a ruídos políticos e que o tempo médio de recuperação após choques externos é historicamente curto. A solidez dos fundamentos corporativos e a base de lucros por ação são vistas como os verdadeiros balizadores para a manutenção das posições no longo prazo.
Perspectivas e o papel da eletrificação
O horizonte de investimento da Swisscanto continua atrelado à transição energética, vista como um motor de crescimento global. A busca por qualidade em toda a cadeia de valor da eletrificação, desde a geração renovável até o armazenamento e consumo, permanece como uma diretriz fundamental. O mercado observará se a aposta em emergentes será suficiente para compensar a volatilidade setorial e as incertezas geopolíticas que ainda rondam as decisões de alocação global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





