A Time For Fun (T4F), uma das maiores empresas de entretenimento ao vivo do Brasil e produtora de festivais como o Lollapalooza, está de saída da B3. A companhia concluiu seu processo de fechamento de capital, encerrando um ciclo de 15 anos como empresa aberta que resultou em uma destruição de valor de aproximadamente 96% para seus acionistas desde o IPO, em 2011.

O movimento foi sacramentado após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovar o cancelamento de seu registro. A operação foi liderada pelo fundador e acionista controlador, Fernando Luiz Alterio, por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA) iniciada em março. A tese aqui é que a trajetória da T4F na bolsa serve como um estudo de caso sobre a difícil relação entre um negócio volátil, dependente de "hits", e as exigências trimestrais do mercado financeiro.

Do otimismo à realidade do mercado

Quando a T4F abriu seu capital, em 2011, o cenário era de otimismo com a economia brasileira e o potencial do consumo de entretenimento. A expectativa era de que a empresa se beneficiasse de um ciclo de crescimento. No entanto, o negócio de eventos ao vivo é estruturalmente imprevisível. Sua receita depende do sucesso de turnês, da venda de ingressos atrelada ao humor do consumidor e de custos elevados, muitas vezes dolarizados.

A pandemia foi um teste de estresse brutal para o setor, mas os problemas da T4F eram anteriores. A baixa liquidez das ações e os custos de manutenção como companhia aberta, citados pela empresa para justificar a OPA, são mais sintomas do que a causa. A raiz do problema parece ser um modelo de negócio que, por sua natureza, não conseguiu entregar a previsibilidade e o crescimento consistentes que os investidores do mercado público demandam.

Um setor de poucos na bolsa

O fechamento de capital da T4F reforça por que há tão poucas empresas de entretenimento listadas em bolsa, especialmente no Brasil. A lógica de um negócio que vive de um grande festival ou da turnê de um artista de renome não se alinha com a cadência do mercado de capitais. A volatilidade de resultados assusta investidores que buscam retornos mais estáveis.

Ao se tornar uma empresa de capital fechado, a gestão da T4F ganha a liberdade de operar com um horizonte de longo prazo, sem a pressão da cotação diária e do escrutínio trimestral. É, em certo sentido, um retorno a um formato mais adequado para a dinâmica do setor, permitindo que a companhia navegue os ciclos de altos e baixos da indústria longe dos holofotes da Faria Lima.

O desfecho não é apenas uma manobra financeira; é um reposicionamento estratégico. Para os acionistas minoritários, representa o fim de uma jornada dolorosa. Para a T4F, é a chance de se reorganizar longe do público. A questão que fica é se outras companhias em setores igualmente cíclicos verão na saída da T4F não um fracasso, mas um roteiro a ser seguido.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney